homenagem antecipada ao #diadospais, caso eu me esqueça de dizer…
July 11th, 2010 por vanessa

Quando o filho começa a falar, é como uma mágica! De repente, todas as palavras fazem sentido para ele, e a compreensão fica bem mais fácil, ainda que dentro de um dialeto específico pautado mais pela sonoridade que pela lógica. O Lucas está começando a falar, e biscoito vira “cuti”, Brasil vira “Chabu”, desliga vira “fecha” e mamãe vira “Renato”!
Sim, porque, pasmem, ele acha que eu e o pai somos xará! Não sei o que se passa em sua cabecinha, mas relacionar o nome do pai ao chamamento dos pais em si, é para mexer com a autoestima de qualquer mami coruja!
E como um papo puxa outro…
Como lidar com a sensação que seu filho tem mais afinidade com o pai que com você, numa idade em que você deveria ser o centro do universo pra ele?
Em nosso caso, até tem razão de ser, reconheço: o Renato é o paizão que levanta de madrugada tantas vezes quanto necessário. E o Lucas acorda bastante, posso garantir.
Antes disso, é o Renato quem o banha e o alimenta antes de dormir. E quem primeiro se levanta de manhã para atendê-lo, e quem o deixa na escola antes de trabalhar. E quem o busca, geralmente.
Sim, é verdade. Ele merece ser o preferido do pequeno!
Mas, mãe é mãe, caramba! Nem vou lembrá-lo dos meses que o carreguei, dos quilos que ganhei e do período terrível que passamos no hospital até que ele recebesse alta e pudesse voltar pra casa.
Lembrar isso é fazer de uma situação especialmente dolorosa objeto de chantagem emocional, e isso é pegar pesado demais, mesmo para uma mãe – figura expert em chatangens emocionais, a gente sabe…
É que na real, no fundo mesmo, eu não me importo tanto assim. Me sinto livre e com bem menos peso nas costas ao ver o pai dando conta de situações que, naturalmente, seriam responsabilidade minha.
Quando estive dez dias na Europa, viajando a trabalho no final do ano passado, fui despreocupada porque sabia que ele não se atrapalharia. Claro que minha mãe veio para ajudá-lo, por questão de logística mesmo, especialmente porque não temos empregada. Mas, mesmo sem ela e sem a empregada, teria dado tudo certo, tenho certeza.
O Renato sempre foi um pai fofo com o Mateus, mas com o Lucas ele se superou! Acho que tem muito a ver com o momento que passamos em seu nascimento.
Quem me conhece desde aquela época, sabe que me comportei como uma leoa obcecada em ajudar o meu filho a sair daquele hospital saudável e pronto para viver sua vida como se deve.
Isso implicou ficar mais de 13 horas na maternidade, fazendo Canguru e colocando-o no peito: de domingo a domingo, durante dois meses e meio.
Não é preciso ir muito longe para saber que, quando ele finalmente pode ir para casa, eu já estava absolutamente esgotada, fisicamente mesmo (que emocionalmente já nem digo).
Aí, um mês depois, quando pensamos que estávamos superando toda aquela tensão, recebo a notícia da morte do meu pai, venho ao Brasil (morávamos em Lima…), fico dez dias, volto pra casa e simplesmente desabo.
Havia noites em que ele chorava e eu não conseguia nem me mexer da cama. Era o Renato quem se levantava, dava a mamadeira, embalava o pequeno e o colocava para dormir. E a partir daí, ele nunca mais parou de fazer isso.
Apesar do contexto algo meio melancólico, não é lindo isso? Independente de qualquer coisa, denota uma característica muito especial no caráter deste homem.
Anyways, o caso é que agora, tenho que agüentar que, para o Lucas, a palavra “Renato” é sinônimo de “mãe”. Isso é forte. Tudo bem que o pai mereça, mas que seu nome se transforme num substantivo é um pouco demais, né não?!
Como, no final das contas fui quem levou o pequeno no ventre, enjoou, engordou e teve um certo incremento de estrias na região do abdômen, quando muito ele merece virar um adjetivo: “Aquele pai é tão bom que parece um ‘renato’! Nossa, que tal ‘renato’ é aquela tia!”
Hum, se bem que…
PS: Vocês se lembram do “Baby da Silva Sauro” que chamava a mãe de “mamãe” e o pai de “não é a mamãe”?! Pois, é.







