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natal e novela

Era pra falar de Natal, mas eu vou falar mesmo é de novela. Já tem tempo que eu queria comentar isso por aqui, mas a dificuldade de acessar internet (aliás, como o Brasil ainda está atrasado nisso) andou me impedindo.

 Enfim. Em breve, terei este problema resolvido.

 Agora, voltando as vacas frias…

Gente, vocês também estão tão indignados quanto eu no tratamento dado à personagem da Helena Ranaldi na novela das oito, nove, sei lá?!

Há muito tempo eu não via uma coisa tão indigna, desrespeitosa e até mesmo nonsense.

Deixa ver se eu entendi. Quer dizer que a mulher trai o marido e aí, talvez porque tenha reincidido (com o mesmo homem, diga-se de passagem), é proscrita, abandonada até mesmo pelos personagens “do bem”, vira mendiga (ela não tinha uma profissão?! Foi morar na rua por quê?!), enlouquece e só não é estuprada porque o violador broxou. Mais um pouco, vão cuspir nela. E todo o mundo vai achar mais do que bom (aliás, outro dia alguém disse que ela só estava colhendo o que plantou).

Enquanto isso, o objeto de seu desejo, que traiur o melhor amigo, vira coitadinho, semi-herói e depois de quase perder suas capacidades “garanhísticas”, reconhece que bom mesmo é uma mulher ”trabalhadeira”, simples, da terra. Mulher fogosa, inteligente e fina é desgraça na certa.

Sinceramente… Ai,ai.

cartão de boas-vindas

Era pra ser um post sobre o valor da amizade e da solidariedade. Queria falar das minhas amigas do Peru que nos emprestaram suas casas, tempos, carros e bracos para nos apoiar nessa mudança.

Queria falar da Guida e do Eduardo, que receberam toda nossa trupe em nossos últimos dias de Lima. Da Celina, que me levou pra cima e pra baixo e ainda embalava o Lucas quando minha coluna já estava em frangalhos; ou da Lu, que me presenteou coisas lindas do acervo pessoal de seu filhote, também Lucas, incluindo uma sunga de praia que o meu Luquinhas já pode até usar; e da Soraia, que também serviu de motorista e faz-tudo, sempre doce e carinhosa.

Era pra falar dos almoços de despedidas – um do Clube da Cachaça e outro entre amigos. Ambos, regados a feijoada e caipirinha.

Era pra falar de tio João e tia Lucía, que nos emprestaram uma casa em pleno Itaim até que a gente encontre a nossa própria. E ainda nos ligam todos os dias pra saber se está tudo bem. Ou do meu irmão, que noite dessas enfrentou três horas de transito só para nos trazer edredones e mantas, já que extemporaneamente faz um frio danado aqui em São Paulo, em pleno verão.

Mas, infelizmente, vou aproveitar este espaço e o calor da emoção pra falar da última, ou melhor, da primeira, que nos aconteceu.

No começo da tarde desta quarta, 3/12, menos de 24 horas depois de nossa chegada, paramos numa loja da “Doce Mania”, na rua João Cachoeira, no Itaim, pra tomar um café e comer um docinho.

Como tínhamos gostado do clima do local e também pelo fato de ter wi-fi, coisa que ainda não é tao comum no Brasil, voltamos lá por volta das seis da tarde desta mesma quarta.

Entramos na seguinte ordem: eu na frente, o Renato logo depois e o Mateus que, obviamente não gosta mais de andar de mãos dadas com a gente o tempo todo, entre nós dois.

Quando nos preparávamos para sentar, nos demos conta que o segurança do local segurava o Mateus pelo braco na tentativa de expulsá-lo dali, provavelmente, presumindo que ele fosse um “menino de rua”.

Tudo aconteceu muito rápido e quando o Renato olhou pra ele, já em posição de galo de briga, o segurança recuou, perguntando:

- A criança está com vocês?! – assim, desse jeito. Com estas mesmíssimas palavras.

Claro que começamos uma discussão, especialmente pela agressão física (o cara segurou o Mateus pelo braco!), e o rapaz, na defensiva, ainda teve a pachorra de responder (com o sorriso mais cínico do mundo): “desculpa. Eu estava só perguntando”.

Nos levantamos para sair absolutamente transtornados, quando a gerente se aproximou para se explicar. O Renato apenas levantou a mão pedindo que ela se calasse, porque estávamos tao perplexos que, certamente, iríamos começar uma briga daquelas, que não gostaríamos que o Mateus presenciasse.

Saímos dali, paramos em outro café, também com internet sem fio, entramos no site da “Doce Mania” e mandamos um email para a gerencia geral, que reproduzo abaixo, assim como a resposta da loja, que copio logo depois.

Na volta pra casa, o Renato parou na loja outra vez, porque eu pensei que na confusão tivesse esquecido minha bolsa por lá (depois, me dei conta que nem tinha saído com ela).

A gerente se aproximou e, na tentativa de se desculpar mais uma vez, usou como argumento o fato de o segurança não ser funcionário da loja e, sim, de uma empresa terceirizada, responsável por cuidar de diversos estabelecimentos da rua.

Ou seja: terceirizaram a sujeirada.

Como, aliás, tem sido praxe nas empresas que, ao contratarem prestadoras de serviços para cuidar da segurança de seus espaços, acreditam que podem se eximir de qualquer responsabilidade quando uma situação de abuso acontece. Vide a história horrorosa das Casas Bahia, recentemente.

No nosso caso, imaginem a cena: o segurança, que estava do lado de fora, viu o Mateus entrar, presumiu que ele nos seguia para nos importunar, (como ele não intuiu que era nosso filho, ainda é um mistério para mim) e entrou logo depois para retirá-lo dali, segurando-o pelo braco.

Partindo do pressuposto que o Mateus vestia uma roupa absolutamente normal para um menino de classe média, qual terá sido o critério usado pelo jovem (também ele afro-descendente miscigenado) para tomar tal atitude?! E a outra pergunta que não quer calar: ele atuaria dessa maneira se não tivesse o aval e a orientação da loja para tal?!

Email Renato:

Caro sr./Sra.,Na tarde desta terca-feira, 3/12, eu e minha família tivemos uma experiência profudamente desagradável na loja que vocês mantêm na Rua Joao Cachoeiro, no Itaim. 

Minha esposa, meu filho de 7 anos e eu entramos na loja pela segunda vez neste mesmo dia para fazer um lanche. Já havíamos ido ali mais cedo e havíamos gostado do clima e da qualidade dos produtos.

Resolvemos voltar de novo de tarde e me surpreendi ao ver que um funcionário da loja segurava o meu filho pelo braco.  Eu lhe perguntei qual era a razao disso e ele me perguntou se “a crianca estava com a gente”.

Ou seja, a intencao era claramente a de expulsá-la da loja, na premissa talvez de que seria um menino de rua. Ainda que fosse, ninguem tem o direito de tratar uma crianca, qualquer crianca, desta maneira. É uma questao de princípios, de respeito aos direitos do próximo, uma questao de valores fundamentais.


Aliás, como ele estava claramente junto com a gente, a norma da educacao e do bom trato aos clientes obrigaria o funcionário a nos perguntar, de maneira sutil e educada, se a crianca estava com a gente. Jamais teria o direito de tocá-la daquela maneira – ou de qualquer outra maneira.


O pior é que acredito que dito funcionário atuou “com a melhor das intencoes” para salvaguardar os próprios interesses da loja, talvez até mesmo sob alguma orientacao da gerência. Ficamos tao profundamente indignados com tal acao que nos decidimos a sair da loja imediatamente e evidentemente tomamos a decisao de nao mais regressar ali.


É claro tambem vamos relatar este fato às nossas redes de relacoes, porque nao queremos que amigos ou familiares corram o risco de passar pelo mesmo tipo de situacao. Somos jornalistas e mantemos blogs na internet, nos quais também vamos a relatar esta lamentável experiencia.


Moramos setes anos fora do Brasil e em menos de 24 horas de voltar a morar no país somos surpreendidos por uma situacao como essa, cujo contexto compreendemos perfeitamente dado a cultura racista e socialmente exclusiva que permeia as nossas relacoes sociais.


Espero que esta mensagem sirva para que voces revejam o treinamento dado aos seus funcionários e seus protocolos de relacionamento com os clientes e que situacoes como essas nao voltem a se repetir em uma loja que vende o prazer de comer bem em eum ambiente agradável. A partir de agora, cada vez que me lembre da Doce Mania ficarei com um gosto amargo na boca.

Renato de Paiva Guimaraes

Resposta “Doce Mania”:

Prezado Sr .Renato:
Lamentamos profundamente o ocorrido e informamos ja terem sido tomadas as providencias cabíveis pela empresa de segurança contratada, substituindo imediatamente o funcionario em questao.

Gostariamos imensamente que o sr. aceitasse as nossas desculpas e agradecemos sua disposição de se dar o trabalho de nos informar o ocorrido, pois criticas ajudam no nosso desejo de constante aperfeiçoamento.

A DIREÇAO

epílogo

Estamos na contagem regressiva de nossa volta ao Brasil. Saimos daqui na próxima terca, dia 2, de mala, cuia, cachorro e muita bagagem.

Nossa mudanca sai por navio no fim de semana, chegando no Porto de Santos ao redor de um mes, mas a burocracia - sem falar das taxas, das mais altas do mundo - é tamanha que nossas poucas coisas só aportam mesmo em casa em 3 ou 4 meses.

Aliás, por conta dessas taxas, tivemos que largar um monte de coisa pra trás. Móveis que nos acompanhavam há anos, por exemplo. Deu pena ter que vende-los a preco de banana e quem os comprou fez um ótimo negócio. Mas, enfim, sao apenas coisas e coisa a gente compra outra vez (tarefa nada desagradável, afinal, quem nao gosta de ter tudo novinho? Ainda mais assim, nesse clima de recomeco?!).

Pena que o que seria motivo de euforia, terá um forte gosto de melancolia, já que estará faltando meu querido pai nesse reencontro familiar. Sem dúvida, este será um Natal e um Ano-Novo duríssimos. Os piores da minha vida.

Bom, e agora, fechando as malas, fui pensando na quantidade de coisas que eu ainda teria pra falar sobre o Peru. Por exemplo, aqui tem nao só uma das melhores comidas do mundo, como um trabalho com prata espetecular. Voces nao tem ideia da beleza das joias de prata, utensilios e enfeites que a gente ve por aqui. Sem falar do artesanato.

Tudo extremamante bem feito, de um bom gosto espetecular, criativos e bonitos. Aliás, na hora de produzir manufaturas e trabalhos assim, o peruano tem um bom gosto secular e atávico. Tudo é muito bonito, desde as pecas mais caras aquelas que a gente compra na rua, de ambulante.

Saio daqui com um patrimonio em joias de prata (que prescrutando em sites de estilo, descobri que sao vendidas absurdamente caras no Brasil), já que eu, a mulher dos acessórios, nunca consegui resistir a um brinquinho novo. To até com medo de passar por contrabandista na hora da imigracao, afinal, sao sete anos de vida que levo em minha necessaire, né?!

Além disso, levo pecas de artesanato realmente deslumbrantes. O mais engracado é que ontem, no Mercado de Artesanato, quase enlouqueci (parecia o Lucas quando saimos com ele na rua, que nao sabe pra onde olhar de tao entusiasmado que fica), tentando recuperar o tempo perdido, comprando coisinhas que tive anos para adquirir e que só agora cairam no meu gosto.

Dá até pra montar uma lojinha…

Outra curiosidade é que, nao sei se voces sabem, mas o Peru é o país onde se produzem os menores livros do mundo! Ao menos, foi o que me disseram. Se o Brasil se orgulha de sua grandeza (aqui jocosamente chamado de “el país más grande del mundo”!), o Peru se arvora de ser o único produtor do mundo de livros em miniaturas.

libros2.jpg Pois, é. Diz a lenda que a idéia foi do peruano Alberto Briceño, em 1970. Uma ótima pedida para levar na bolsa e sacar naquelas horas de tédio na sala de espera do dentista ou na fila do banco, especialmente porque pesa menos que um batom (sempre e quando voce nao sofra das vistas, claro).

Na foto, galeria com vários títulos. Em minha colecao costam o Pequeno Príncipe, (que tenho em quechua tambem, mas isso é outra história), Pinochio, Contos Clássicos infantis, e outros .

Comprei também uma Bíblia, com direito a suporte de madeira e tudo. Como é um presente, nao dá pra abrir e descobrir se estao condensados o Antigo e Novo Testamento.

Se sim, este, só com a ajuda de uma lupa mesmo, assim como a edicao do Dom Quixote, dividida em tres exemplares, em letras tao pequenas que nem o Supermam conseguiria ler.

Mas, também, que importancia tem isso, diante do fetiche de ser ter uma obra como essa reunida numa coisinha tao fofa?!

Bom, voces podem imaginar que só volto agora sei lá quando. E, oxalá, com com computador no qual os acentos, cedilhas e tils sejam parte do cenário.

Beijos a todos e obrigada por continuarem por aqui.

obrigada, sempre!

Bons Amigos

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

(Machado de Assis)

e la nave va…

Ontem, domingo, fez um mês da morte do meu pai. Impressionante como o tempo vai passando rápido, a vida seguindo e, mesmo assim, a gente continua em estado eterno de perplexidade. Perder pai e mãe deixa a gente sem chão mesmo. E da maneira como perdi o meu, a coisa fica mais difícil ainda.

Aí, fiquei pensando em minha cunhada, que perdeu a mãe há uns três anos e do quanto ela custou para se recompor. Ou de uns amigos de infância, que perderam os pais em épocas diferentes, ambos de maneira absolutamente trágicas e inesperadas - antes da idade adulta, os três filhos já eram completamente órfãos.

E tudo isso só aumenta a minha dor. Porque agora, foi comigo. Aquilo que a gente acha que só acontece com os outros, se passa com a gente também de vez em quando. Afinal, é como dizem, nós somos “os outros” para “os outros”. A gente também é banal.

Continuo sem nenhuma motivação pra blogar ou pra fazer qualquer outra coisa, sendo bem sincera com vocês. O que me coloca em movimento são os meninos. E a necessidade de.

Como já comentei aqui, estamos voltando ao Brasil até o começo de dezembro, e com o prazo se esgotando, o estresse vem aumentando.

Dando uma olhada na internet, vimos que os aluguéis em São Paulo estão caríssimos, por exemplo. De assustar. A gente está sem referência, apostando que uma vez in loco, fique mais fácil encontrar algo conveniente com um valor razoável.

Por isso, queria pedir uma ajudinha pra vocês: se alguém conhece ou tem um apartamento de dois ou três quartos pra alugar nas zonas sul ou oeste, por favor, me dêem um alô. A gente está precisando mesmo da dica, nem que seja por temporada, até a gente se instalar de vez. Ah, de preferência, perto de uma estação do metrô.

Aproveito pra dizer que o Lucas está lindo, grande e gordinho e se desenvolvendo maravilhosamente bem.

Aliás, essa é outra super ajuda que vocês podem me dar: aceito sugestões de nomes de pediatras, se possível com experiência em prematuros.

E se alguém souber de um bom centro de referência em estimulação e terapia para prematuros, gente, me fará um grandessíssimo favor me passando o dado.

Obrigada!!!

valeu!

Amig@s, muito, muito obrigada pelo carinho.

Gi, querida, andei pensando muito em você nos últimos dias, pelos motivos óbvios. É uma dor impossível de medir, sem dúvida e, por enquanto, difícil sequer imaginar que a gente supera algum dia.

Horrível.

E no meio disso tudo, a única coisa que me vem à cabeça é o lugar-comum mais obvio que existe: expressem seu amor sempre que possível. Não apenas com atos, mas com palavras. Digam que amam sempre que tiverem vontade. Porque um dia, tudo pode mudar e aquilo que você queria dizer e não disse vai ficar aí, pendurado na boca.

Vou e não sei quando volto, gente. Se é que volto. Blogar está sendo um exercício impossível pra mim ultimamente.

Beijos a tod@s.

da vida

Gente, estou sumida, eu ei. Mas, as coisas por aqui andam duras.

Com o Lucas está tudo maravilhosamente bem, mas infelizmente na última sexta-feira perdi o meu pai de maneira trágica e absolutamente inesperada: num terrível acidente de carro numa estrada de Minas.

Ele tinha acabado de fazer 62 anos.

Estou no Brasil com a minha família. A missa de sétimo dia será nesta quinta. Quem é de rezar, por favor, faça uma pequena prece para ele neste dia, que o velho (não tão velho assim) Marcão merece.

Meu pai foi uma das pessoas mais íntegras que conheci. Um homem absolutamente honesto, honrado e bom.

Perdê-lo foi, com toda certeza, a coisa mais terrível que já me aconteceu.

Vou continuar sumida por uns tempos, vocês entendem, né?!

O Inconfidência está de luto.

A morte em mim.

Alguém (o medo) desce uma rua noturna,

E de repente vê, soturna no céu, a lua,

E sente o horror da lua,

E súbito enlouquece.

A morte em cada ser.
E alguém (a mágoa), que por insone chega-se à janela
Possui a mesma lua dentro dela
Que em sua carne se transforma em água.

A Poesia em tudo.

E a doçura de não ser mais.
Ficará sentado, na vertente, junto ao rio

Vendo umas nuvens brancas, vendo o rio.

(Vinícius de Moraes)

mais do mesmo

A gente ouve muita música aqui em casa.

Comemos com música e a primeira coisa que fazemos ao entrar no carro é colocar um cd, por exemplo. Com isso, o Mateus acaba tendo uma cultura musical relativamente sofisticada, sem nem mesmo ter noção disso.

Especialmente porque cds infantis não têm muita vez por aqui, não. O máximo que escutamos é “Sitio do Picapau Amarelo”, “Arca de Noé” e “Palavra Cantada”, por exemplo.

Não à toa, o Mateus gosta mesmo é da Rita Lee, Jorge Ben Jor, Santana, Moby, Fat Boy Slim e por aí vai.

E pelo visto, o Lucas vai no mesmo caminho. Porque gente, tem coisa mais chata que essas versões tatibitatis dos clássicos de Mozart e Bethoven?! 

Até tentei ouvir dia desses, enquanto lhe fazia uma massagenzinha. Pois ele chorou tanto que acho que detestou a música tanto quanto eu.

Sinceramente, prefiro as originais.

baba baby

Ter uma babá é realmente um luxo.

Quando é boa, é uma sorte. Mas, é uma profissional cara, difícil de lidar e com poderes pra destruir sua auto estima.

Pessoalmente, sempre fui reativa a idéia de ter uma pessoa fazendo coisas que, finalmente, são de minha inteira responsabilidade, ainda mais nos seis primeiros meses de vida do bebê, quando ele basicamente depende de mim, por conta da amamentação.

Mas, aí, me deparo com a necessidade de contratar uma. Primeiro, porque estar sozinha num país estrangeiro é muito difícil quando você tem um recém-nascido em casa. A gente não tem ninguém pra dividir o rojão, por exemplo.

Sem falar que o Mateus tem sentido a mudança, já que eu vivia pra ele, e agora, com o Lucas pequenininho e ainda sob o drama de ser prematuro (só agora, aos três meses, ele conseguiu passar dos 3 kg), minhas atenções estão todas focadas em outra direção.

Além do mais, o Renato está com uma agenda de viagens super apertada neste último trimestre e vai estar bem pouco em casa. E ainda que me custe muito admitir, eu não sou uma super mulher ;-). Estar sozinha com duas crianças pequenas, ainda mais na parte da noite, resulta demasiado para minha estrutura emocional. Vai que tenha um terremoto?!

Neste contexto, apareceu a Margarita!!!

A mulher tem mil anos no trato com recém-nascido e algumas centenas com prematuros. É miúda, vive de uniforme branco (que ela mesma trouxe de casa), tem um rizinho sonso bastante irritante e nunca a vejo comer.

nanny.jpgSe diz obcecada com a higiene das mãos, gosta de ter o bebê sob suas vistas 24 horas por dia e nada do que eu sei ou tenha feito até agora parece estar bem, segundo sua opinião.

Ta certo que as roupas do Lucas agora vivem organizadas, bem dobradas, bem passadas e mais fáceis de encontrar. Ta certo que o espaço do pequeno móvel que comprei para organizar suas coisas de primeira necessidade foi otimizado de tal maneira que, agora, sobra.

Ta certo que tem garrafa térmica com água fervida quente e outra com fria e eu já não preciso ir até a cozinha preparar a mamadeira da madrugada, esperar esfriar, morrendo de sono, já que tudo está ali, a mão.

Ta certo que agora posso até pensar em dar uma saidinha de tarde pra caminhar e, assim, não só fazer um exercício físico, como ver a luz do sol, nas raras vezes que ele aparece por aqui.

Ta certo que nunca mais o Lucas chorou (e ele fazia um escândalo fenomenal) na hora de trocar a fralda e está muito mais tranqüilo depois que ela chegou (e olha que só tem dois dias), coisa que me fez definitivamente abandonar a chupeta que, numa noite de desespero, não resistimos e compramos.

E, principalmente, ta certo que pude voltar a me sentar com o Mateus e de maneira calma poder ajudá-lo em suas tarefas e exames escolares.

Mas, mesmo assim, tudo isso às vezes parece não compensar o tamanho da intromissão que é a presença dessa mulher em nossas vidas.

Tudo ela sabe, tudo ela viu, tudo ela fez. Ela é a que sabe quando o Lucas tem fome, gases, dengo. E até pra botar a criança pra arrotar ela é a melhor.

E em tão pouco tempo por aqui, já conseguiu a proeza de estressar a enfermeira do pediatra quando esta tirou toda a roupa do Lucas para pesá-lo (“faz muito frio aqui. Isso é realmente necessário?!”) e a terapeuta (“ele está com a barriguinha cheia, melhor deixa isso pra depois”).

E até já deu a entender que a última criança que ela cuidou gostava mais dela que da própria mãe (”isso é bem comum comigo”).

Soma-se a isso, uma série de crenças malucas (“o peito direito é o da comida, o do esquerdo, da água” ou “é a falta de toquinha na cabeça que faz o bebe espirrar” ou, ainda, “o primeiro jato de leite deve ser jogado no chão, para espantar toda a angústia e tensão de dentro da mãe” – se bem que essa eu até achei com uma certa beleza) ou outras mais comuns (“a senhora precisa parar de comer tão light, que é para o leite ganhar força” ou “tome uma xícara de mate quente antes de amamentar, que para o leite sair morninho”) e vocês podem imaginar o tamanho da minha exasperação. 

E, apesar de respeitar muito seus anos de experiência e tentar arduamente me desarmar para ouvir e acatar o que de bom ela tem pra ensinar, a vontade que eu tenho é de convidar essa mulher pra sair da minha vida. Gente, que relação complicada essa, né?!

Já vi amigas sucumbirem e virarem escravas da babá. Eu, hein. Tenho medo disso. Daqui a pouco, to eu com Síndrome de Estocolmo com relação a essa flor de pessoa, que pra margarita ta mais para o famoso drink mexicano – bastante agradável ao paladar, mas muito forte, ácido e capaz de afetar nossos sentidos, nos atontando.

O consolo é que antes do Natal a gente ta indo embora daqui. Ai, ai.

Até pra se ter mordomia a gente precisa de boa vontade.

PS: E ainda bem que ela não sabe nem o que é blog e, muito menos, lê em português. Vai que ela se ofenda com este post e resolva me abandonar. Socorro!!! :-P

entre fraldas

Eu sempre achei que a Ingrid Betancourt me lembrava alguém e eu não sabia quem.

ingrid-betancourt.jpg

Hoje, me caiu a ficha.

Gente, ela é a cara da Fernanda Venturini, do voley.

fernandaventurini.jpg

Alguém já tinha falado isso?! Vocês também acham?!

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