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em nome de quem?!

Vocês falam de religião com seus filhos ou correlatos (sobrinhos, afilhados, enteados…)?

Tenho pensando muito nisso ultimamente e confesso que não sei que caminho tomar. Como todo bom filho de brasileiro, mais ainda de uma tradicional família mineira, fui educada num lar católico. Fiz todos os rituais: batismo, prmeira comunhão, crisma, colégio de freiras, culminando com casamento na igreja, com direito a curso de noivos e debate sobre virgindade.

E ainda que tenha sido poupada de freqüentar missas quando criança (minha mãe nunca nos obrigou, felizmente) e de só ter me confessado uma única vez, com esse background é difícil não me sentir compelida às vezes a repetir o mesmo com os meus filhos, nem que seja pelo hábito.

E apesar disso tudo e até mesmo de ter um marido que freqüentava a igreja com bastante assiduidade antes me conhecer, nunca falamos de religião com o Mateus ou com o Lucas. De nossa boca eles nunca ouviram historias sobre céu e inferno, pecado, e todo o resto do pacote.

Alem do mais, estamos absolutamente convictos que a igreja de Ratzinger não nos interessa nem um pouco.

Mas, admito que não me sinto inteiramente segura da decisão de anular este tema dentro da minha casa. É só que simplesmente não sei o que fazer ou de que maneira abordá-lo. E mais ainda, volta e meia me pego pensando não deveria nutrir os meus filhos de algum tipo de informação espiritual.

Que não pelos metodos tradicionais, mas, não deveria ajudá-los a ter… sei lá… algum tipo de fé?! Algo em que acreditar?! Ou em que não acreditar?! Porque mesmo que eles opten por não crer em nada, não sei se gostaria que isso fosse pelo vazio.

E voces, como lidam com isso em suas casas, com os seus filhos?!

Na #Flip2010 com Villanueva

A gente termina a aula sobre perfis com a cabeça doendo. Não é que Julio Villanueva faça o tipo que complica conteúdos. Aliás, pelo contrário, a maneira como ele fala deixa tudo tão simples, que até parece obvio. E é aí que você abre o vidro de aspirina.

Hoje, foi um desses dias. Mais do que ontem, devo dizer, até porque me confundi (ou me confundiram) no horário e quando entrei na sala, a aula estava em seus últimos minutos. Não deu nem para tremer a sobrancelha, quanto mais massagear têmporas intrigadas.

Mesmo assim, ainda alcancei o dever de casa, quando devíamos ler três grandes perfis: um sobre a peruana Maju Mantilla, ex-Miss Mundo, eleita por um clique, com mais de 3 bilhões de votos virtuais.

O outro texto era sobre ketchups. Sim, pasmem, é possível escrever um perfil de mais de cinco páginas sobre um condimento tão prosaico de nossa vida doméstica, a partir da historia de um sabor sofisticado que não pegou.

Já o último, era sobre o Messi. Neste, dormi antes de acabar. Não porque o texto não fosse bom. Mas, depois de misses e ketchups, uma mulher não se liga mesmo numa historia de futebol. Ainda que seja o Messi. Ainda que ele quase tenha sido o herói de uma quase-competição Mundial entre Brasil e Argentina, mas que não deu nem pedra nem tijolo. Ou talvez porque, finalmente, eu seja mesmo ligada em futebol e não me interesse o perfil de um jogador argentino tão brilhante neste exato momento, ainda que seja o Messi…

Mas, Villanueva nem chegou a discutir estes textos na aula. Não deu tempo. Comentamos outros, tão extensos e impressionantes quanto. E depois de lê-los e de ouvir Villanueva, você se sente, meio assim… banal. E como dói!

Marquei de entrevistá-lo amanha. Villanueva não gosta de blogs.

Quer saber mais sobre ele? Vai lá em www.etiquetanegra.com.pe

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Estava eu na quarta passada (28) ouvindo Marcelo Tas, Rodrigo Nejm (Safernet Brasil), Helen Sardenbeg (titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática) falando que os pais devem recuperar seus papeis de mentores na vida dos filhos, e pensando na tarefa hercúlea que isso significa.

Estávamos todos na coletiva de imprensa do lançamento da publicação “Guia para o Uso Responsável da Internet 3.0”, que busca “aproximar aqueles que nasceram antes e os que vieram depois da popularização da internet para que a tecnologia seja usada de forma saudável e participativa por crianças e adultos.”

De fato, este tema vem angustiando tanto pais quanto professores, especialmente com as histórias cada vez mais aflitivas que a gente vem escutando ultimamente.

A última foi a do casal de adolescentes, de 16 (ele) e 14 (ela), que trocou carícias em frente à Twitcam, serviço vinculado ao Twitter, que permite que todos os seus seguidores acompanhem a transmissão. Repórter da Capricho, que estava na coletiva, até citou este caso perguntando à mesa sobre o que fazer diante de uma situação assim.

Rodrigo Nejm, da Safernet, foi o primeiro a apontar que a “culpa” não é da web ou das redes sociais, e que o caso é que estamos falando de sexualidade na adolescência, tema ainda tabu para a maioria de nós (na hora, me lembrei do caso das pulseirinhas do sexo, mas isso é outra historia…).

Tas brincou que se um adolescente de 16 trocando caricias com uma de 14 está cometendo um delito, então, ele mesmo era um criminoso, porque aos 16 teria feito a mesma coisa, o que arrancou risos da plateia.

Mas, completou dizendo que o problema é que os adolescentes que publicam suas intimidades na rede ainda não se deram conta de que isso é pra sempre, que essas imagens não desaparecem mais.

Ignorância não restrita aos jovens, basta lembrarmos da historia de Sorocaba, diga-se de passagem.

Tudo isso só amplifica a responsabilidade dos adultos na formação das crianças e adolescentes, que se reflete diretamente em seus “comportamentos cibernéticos”, digamos assim.

Afinal, mesmo que não saibamos usar o computador tão bem quanto eles, temos a experiência de vida necessária para apoiá-los em suas escolhas, etc e tal.

Pois tive vontade de perguntar: ok, mas como falar de ética, de valores, de princípios, de respeito com nossos filhos, se todos os estímulos que eles recebem colocam estes temas em xeque, o tempo todo?!

Pois, é. É mesmo a velha e clássica pergunta, que nossos pais já faziam com relação à televisão, mas agora, com todos os recursos digitais, tudo parece estar mais gritante, até mesmo os “maus exemplos”.

Eu realmente acredito que, à parte ações específicas relacionadas ao uso das ferramentas (instalação de filtros, controle de horários e quantidade de horas, monitoramento…), no final das contas, o que pode contribuir para uma navegação responsável passa pela educação, pela incorporação de valores e cuidados mesmo, com os pais conhecendo melhor a web, sem medo de aprender com os filhos, por exemplo.

Mas, se mesmo o Tas diz que seus companheiros de CQC não são boas referências nas redes para adolescentes e sendo eles queridíssimos por meninos e meninas de 14, 15, 16 anos (provavelmente, grande parte da audiência do programa), quem ganha o cabo-de-guerra?!

Como lidar com temas como “ciberbullying”, além daqueles relacionados à raça ou gênero, se em nome do “humor” passou-se a desculpar toda e qualquer piada, por mais grotesca ou politicamente incorreta que seja, desde que engraçada?!

Vocês já perceberam que agora virou “cool” ser iconoclasta?!

Já ouvi gente se referindo a grita sobre aquela matéria horrorosa da Sport TV sobre o Paraguai na época da Copa, como “coisa de politicamente correto”! Como assim?!

A coletiva foi encerrada antes que eu pudesse fazer a minha pergunta, por isso, cá estou, maquinando todas essas angústias.

Como educar o meu filho para que ele tenha uma relação saudável e bacana com os meios digitais e na vida mesmo, num mundo em que acha cada vez mais bonitinho e moderninho ser maldoso?!

Download do “Guia para o uso Responsável da Internet 3.0 ,” no site www.internetsegura.com.br

Saiba mais:

Mãe com filhos: O Uso Responsável da Internet 3.0 
Potal EducaRede: A educação é a melhor das tecnologia
Blog EducaRede por aí (com texto meu): Webdobem

Na foto: Mateus, 8, lendo o Guia.

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Quando o filho começa a falar, é como uma mágica! De repente, todas as palavras fazem sentido para ele, e a compreensão fica  bem mais fácil, ainda que dentro de um dialeto específico pautado mais pela sonoridade que pela lógica. O Lucas está começando a falar, e biscoito vira “cuti”, Brasil vira “Chabu”, desliga vira “fecha” e mamãe vira “Renato”!

Sim, porque, pasmem, ele acha que eu e o pai somos xará! Não sei o que se passa em sua cabecinha, mas relacionar o nome do pai ao chamamento dos pais em si, é para mexer com a autoestima de qualquer mami coruja!

E como um papo puxa outro…

Como lidar com a sensação que seu filho tem mais afinidade com o pai que com você, numa idade em que você deveria ser o centro do universo pra ele?

Em nosso caso, até tem razão de ser, reconheço: o Renato é o paizão que levanta de madrugada tantas vezes quanto necessário. E o Lucas acorda bastante, posso garantir.

Antes disso, é o Renato quem o banha e o alimenta antes de dormir. E quem primeiro se levanta de manhã para atendê-lo, e quem o deixa na escola antes de trabalhar. E quem o busca, geralmente.

Sim, é verdade. Ele merece ser o preferido do pequeno!

Mas, mãe é mãe, caramba! Nem vou lembrá-lo dos meses que o carreguei, dos quilos que ganhei e do período terrível que passamos no hospital até que ele recebesse alta e pudesse voltar pra casa.

Lembrar isso é fazer de uma situação especialmente dolorosa objeto de chantagem emocional, e isso é pegar pesado demais, mesmo para uma mãe – figura expert em chatangens emocionais, a gente sabe…

É que na real, no fundo mesmo, eu não me importo tanto assim. Me sinto livre e com bem menos peso nas costas ao ver o pai dando conta de situações que, naturalmente, seriam responsabilidade minha.

Quando estive dez dias na Europa, viajando a trabalho no final do ano passado, fui despreocupada porque sabia que ele não se atrapalharia. Claro que minha mãe veio para ajudá-lo, por questão de logística mesmo, especialmente porque não temos empregada. Mas, mesmo sem ela e sem a empregada, teria dado tudo certo, tenho certeza.

O Renato sempre foi um pai fofo com o Mateus, mas com o Lucas ele se superou! Acho que tem muito a ver com o momento que passamos em seu nascimento.

Quem me conhece desde aquela época, sabe que me comportei como uma leoa obcecada em ajudar o meu filho a sair daquele hospital saudável e pronto para viver sua vida como se deve.

Isso implicou ficar mais de 13 horas na maternidade, fazendo Canguru e colocando-o no peito: de domingo a domingo, durante dois meses e meio.

Não é preciso ir muito longe para saber que, quando ele finalmente pode ir para casa, eu já estava absolutamente esgotada, fisicamente mesmo (que emocionalmente já nem digo).

Aí, um mês depois, quando pensamos que estávamos superando toda aquela tensão, recebo a notícia da morte do meu pai, venho ao Brasil (morávamos em Lima…), fico dez dias, volto pra casa e simplesmente desabo.

Havia noites em que ele chorava e eu não conseguia nem me mexer da cama. Era o Renato quem se levantava, dava a mamadeira, embalava o pequeno e o colocava para dormir. E a partir daí, ele nunca mais parou de fazer isso.

Apesar do contexto algo meio melancólico, não é lindo isso? Independente de qualquer coisa, denota uma característica muito especial no caráter deste homem.

Anyways, o caso é que agora, tenho que agüentar que, para o Lucas, a palavra “Renato” é sinônimo de “mãe”. Isso é forte. Tudo bem que o pai mereça, mas que seu nome se transforme num substantivo é um pouco demais, né não?!

Como, no final das contas fui quem levou o pequeno no ventre, enjoou, engordou e teve um certo incremento de estrias na região do abdômen, quando muito ele merece virar um adjetivo:  “Aquele pai é tão bom que parece um ‘renato’! Nossa, que tal ‘renato’ é aquela tia!”

Hum, se bem que…

PS: Vocês se lembram do “Baby da Silva Sauro” que chamava a mãe de “mamãe” e o pai de “não é a mamãe”?! Pois, é.

Lembram desta foto, publicada na Copa de 2006, no dia em que o Brasil foi eliminado pela França (e lá se vão 4 anos!!!)?

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Pois, é. Agora, o Leo é pura felicidade! Vivendo na Costa Rica há uns quatro anos, mais ou menos, foi capa de tudo quanto é jornal comemorando a vitória do Brasil sobre o Chile! E a peruca lá, firme e forte! Aqui,  com o filho, Thiago (foto publicada no La Nacion).

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Você se lembram da minha voz?!

Ando bem preocupada comigo. Não sei se é cansaço, idade ou algo mais sério (ou tudo isso junto e misturado), mas o fato é que vivo esquecendo coisas importantes. Definitivamente, estou com problema de memória. Quando digo “coisas”, falo de objetos mesmo, já que os fatos, eventos, reuniões e “quehaceres”, vou anotando na agenda (que nunca fez tanto sentido em minha vida quanto agora) para não deletá-las da mente mais adiante.

O caso é que, ultimamente, dei pra deixar carteira, chaves, óculos… assim, em qualquer lugar. Coisa que raramente acontecia comigo antes. Admito ser um pouco bagunceira, mas nunca fui de perder celular ou carteira, por exemplo (só dentro de casa). Ultimamente, sim.

Na tarde desta sexta, então, foi o cúmulo. Aconteceu algo absolutamente surreal comigo, por conta de mais um esquecimento, que culminou com outro fato mais absurdo ainda, sob todos os aspectos.

Tive uma reunião na quinta de manhã num local fora do escritório. Sai de lá ao redor das duas da tarde e terminei o resto do dia trabalhando em casa. Em algum momento, me dei conta que tinha deixado a fonte do meu netbook para trás (era a segunda vez em duas semanas que isso acontecia).

Na sexta, voltei lá pra buscar, complicando um pouco a organização do meu dia. Peguei o metrô e ao descer na estação fui subindo a escada rolante com dois rapazes e uma moça “colados” em mim. Sabe quando você se dá conta que a pessoa está muito perto, mas ignora o feeling, sabe-se lá por quê?! Pois, é.

Menos de dez minutos depois, cheguei ao edifício de destino. Ao abrir a bolsa para avisar que estava na portaria, me dei conta que o meu Iphone tinha desaparecido. Quase chorei. E na hora revivi minha subida na escada rolante. Obviamente, eu tinha sido furtada. Do orelhão, liguei para o Renato avisando o sucedido, inclusive para que ele bloqueasse a linha. Sai do prédio caminhando, meio desarvorada, me sentindo uma imbecil por ter deixado que aquilo acontecesse e, mais, com a certeza absoluta que outro Iphone, tão cedo.

Aproveitando a viagem, resolvi algumas coisas pessoais, fui ao Banco pegar dinheiro e, ainda desolada, voltei para a mesma estação de metrô para o meu trajeto de volta, onde vi os mesmos guardas de segurança da ida. Resolvi me aproximar para contar sobre o furto, sabendo que eles não poderiam fazer nada, mas acredianto válido avisá-los, para que ficassem mais atentos. Afinal, o fato teria acontecido nas barbas de todos nós. E acho que também queria desabafar.

Fui extremamente bem atendida. De fato, minha experiência com guardas das estaçoes de metrô sempre foi positiva: em geral, costumam ser bem treinados, educados, gentis e atenciosos. Me orientaram a fazer um registro lá mesmo e ainda me recomendaram que, de uma próxima, eu os avisasse imediatamente. Ao que respondi que só tinha me dado conta do furto quando cheguei ao meu local de destino. “Não foi roubo, não houve agressão. Foi furto mesmo, na mão boba. Felizmente, não levaram a minha carteira, só o meu Iphone…”

E aí começa a historia de fato.

Ao ouvir isso, o guarda respondeu: “Seu Iphone?! Porque mais cedo me passaram um radio dizendo que um usuário devolveu um Iphone encontrado na estação”. Quase cai pra trás ao ouvir aquilo. Era muita coincidência. A descrição batia com o meu e eles até já tinha ligado para o marido da proprietária (o número do Renato está estava! sinalizado como “marido” na agenda. Pode ser perigoso por um lado, mas pode resolver a vida por outro, como num caso desses ou de um acidente, por exemplo).

O certo é que depois de me perguntarem uma série de detalhes e de confirmarem que o aparelho era mesmo meu, tive meu Iphone devolvido ali mesmo, na estação. Burocracia maior foi para conseguir desbloqueá-lo, aliás. No final das contas, esse foi mais um episodio fruto desta desatenção estranha que me assaltou nos últimos tempos.

Não fiz papel de boba, é verdade, mas minha preocupação com minha saúde mental só aumentou. Ai, ai, ai.

Diquinhas:

- Como Lidar com Problemas de Memória de Curto Prazo
- Alimentos que podem ajudar seu problema de memória

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Levamos as crianças na Parada Gay de São Paulo, neste domingo. O Lucas, de 2 anos, estava totalmente no clima, olhando pra tudo fascinado e curioso. Mateus, de 8, não. Ressabiado, assustado com o barulho e a aglomeração, demorou um pouco pra relaxar.

Foi a presença do Serginho e do Dicesar que o fez começar a largar a tromba. Ele literalmente se pendurou no alambrado para vê-los melhor! Serginho é miudinho, franzino, tem carinha de bebê. Parece um pós-adolescente. E Dimmy Kieer é absolutamente fascinante! De fato, eles foram os personagens LGBT dos últimos meses e exercem um fascínio enorme sobre as crianças e as senhoras. Minha mãe era apaixonada pelo Serginho, mesmo morrendo de medo de ter um filho gay!

Apesar dos debates sobre a despolitização da Parada, sinceramente acredito que esta festa, mesmo lembrando um grande desfile de carnaval (e sendo tratado somente assim por alguns), ainda tem muito de político na mensagem. Por exemplo, no tempo que ficamos por lá, vimos várias famílias com suas crianças. E eu acho uma postura política a pessoa levar os filhos pra participar da Parada Gay, mesmo que ela nem se dê conta disso.

O simples fato de estar lá já deve indicar certa predisposição à convivência e tolerancia, por exemplo, mesmo que a motivação primeira seja pelo curioso da situação. Sem falar que, em alguma medida, aproximar o seu filho de um ambiente  em que pessoas do mesmo sexo andam de mãos dadas, se beijam, se assumem, suscita perguntas, fornece ganchos para conversas, indagações, dúvidas. Isso é quase que inevitável. Com vontade, dá pra rolar altos papos com os pequenos!

Com a gente aconteceu isso. Não queríamos forçar um papo cabeça com o Mateus, ate porque ja conversamos sobre sexo, homossexualidade e afins outras vezes. Queríamos, sim, que antes de mais nada ele simplesmente visse (e soubesse, afinal, sua orientação sexual ainda esta por florescer).  E ele viu. Viu pessoas do mesmo sexo abraçadas, de mãos dadas, se acarinhando, e não me perguntou nada. Talvez, isso não o tenha surpreendido tanto assim.

Vimos também a molecada bêbada vomitando pelos cantos (o que já é tema para outra conversa, aliás). Nada que não role em outras festas que reúnam tanta gente. Segundo dados dos organizadores, mais de 3,5 milhões de pessoas passaram pela Paulista/Consolação na Parada. Ah, e já no final, vimos alguns travestis tirando os peitos pra fora.

O Mateus olhou constrangido, virou o rosto e não disse nada. A gente tampouco. Peito, então, é coisa que rola o tempo todo: na TV, na praia, no Carnaval… horrorizar por isso seria muita hipocrisia. Aliás, o que o horrorizou de fato foi um vendedor de cerveja pagando cofrinho na nossa frente. A visão não foi das mais agradáveis, admito. Rs.

Bom, mas, aí, ele começou a reparar nas placas e cartazes pendurados nos postes: “Vote por um Estado laico”, “Diga não à homofobia” e as perguntas começaram. Ele quis saber o que significava cada uma dessas frases e palavras de ordem, e nós explicamos, tentando tornar os conceitos os mais palatáveis possíveis.

Ele não rendeu muito a conversa, afinal, era muita informação para processar, mas, posso afirmar que do nosso lado estas perguntas nos deram uma oportunidade preciosa de conversar com o rebento de maneira natural e contextualizada. Elas deram filosofia para que o ele estava vendo na prática. E fortaleceram o propósito de nossa ida lá.

PS: Despolitizada, sim, está ficando a cobertura da imprensa, que entra ano, sai ano apela para o mesmo enfoque: o quanto o publico gay movimenta a economia, especialmente a paulistana, na época da Parada. São sempre os mesmos gerentes de hoteis, lojas e restaurantes fazendo sempre os mesmos comentários. Uma pauta absolutamente preguiçosa e burocrática.

Leia também:

- A parada gay, a pesquisa sobre adoção e a polêmica chata de sempre!

- Nunca chove na terra do arco-iris

- Parada Gay em São Paulo, 2010

Foto do Iphone.

onde eu moro

Sala1

Sala2

Quando voltamos a morar no Brasil tínhamos a ilusão de recuperar a vida que tínhamos deixado pra trás. Morar no mesmo bairro, com as mesmas comodidades, e mais. Afinal, merecíamos o mesmo upgrade depois de tanto tempo fora, certo?! A principio, pensamos em comprar pra, depois, cairmos na real que para morar onde queríamos não daria pra isso, por enquanto. A vida em São Paulo é mesmo muito cara. Até para alugar é difícil.  Impressionante como, de uma maneira geral, os alugueis estão inflacionados por aqui.

Depois de muita procura,  encontramos uma casa pela Pompéia, bairro super familiar e ao mesmo tempo prático, que nos serviu melhor que encomenda (queríamos casa porque nos parecia o único lugar viável dentro de nossas possibilidades que acomodasse confortavelmente nossa família, nossas coisas, lembranças e o Fidel!).

Ainda assim, não estávamos 100% felizes. Estávamos longe da escola dos meninos, por exemplo, e a logística para levá-los e buscá-los era insana. O gasto era enorme e estressante, porque nos obrigava  a botar o carro na rua a todo o momento, e muito frequentemente eu tinha que pegar taxi também, impactando diretamente nossas finanças. A vida continuava cara, no final das contas.

Depois de um ano, resolvemos sair de lá. Ainda sem certeza, vimos no jornal o anúncio de uma casa, numa vila, na altura da escola dos meninos (que, depois, descobrimos ser do lado mesmo!), com um valor pra lá de razoável e pertíssimo de uma estação de metrô.  Não deu pra acreditar.

Ligamos para o corretor e marcamos uma visita para a manhã de segunda e chegamos um pouco antes pra sondar o local. Felizmente, o portão da vila estava aberto e a gente foi entrando, fazendo cara de gente séria (pra ninguém se assustar!) e não deu pra acreditar. Era fofa! O dia favorecia, claro, e as casas, com fachadas coloridas pareciam de cenário de novela.

Ficamos boquiabertos, tanto que nos deixamos levar pela lei de Murphy. Não sabíamos qual era a casa disponível, e no final tinha uma derrubada, feiosa, com a janela quebrada. “Com a nossa sorte,  é aquela ali”, disse eu para o Renato, do alto do meu otimismo calejado. Pois, é, queridos. Mas, não era. Era a casa do lado, lindinha, recém reformada, irresistível. Fechamos negocio ali mesmo, deu tudo certo e nos mudamos duas semanas depois.

Aí, veio o processo de mudança. Doloroso, como qualquer um. Eles nunca saem do jeito que a empresa promete, né?! Eles quebram nossas coisas, somem com outras e você precisa acionar um advogado para ser ressarcido. Ainda bem que temos três na família! Bom, entramos na nova casa quase as 9:00 da noite. Antes disso, ao redor das 7:00, vi saindo um homem que reconheci na hora: era o marido de uma querida companheira de trabalho dos tempos em que moramos aqui na primeira vez.

Pois, e. Estamos aqui desde fevereiro, levamos os meninos para a escola a pé e vamos trabalhar de metrô. O nosso carro já nao vai pra rua, por exemplo, e assim damos nossa singela contribuição na melhoria do trânsito e do meio ambiente. Além disso, somos vizinhos de amigos queridos de outrora cuja filhinha de 7 anos virou a melhor amiga do Mateus em cinco minutos. Eles se dão super bem, vivem de um lado para o outro e tomaram conta da vila. Não poderíamos ter tido melhor cartão de boas vindas.

Exceto, é claro, pela queda do Lucas, que rolou escada abaixo porque a grade de proteção estava aberta e não tínhamos percebido. Sem falar que nem tudo sao rosas e ja rolaram alguns bons stress por aqui, como o Mateus testemunhando um furto na vizinha em pleno carnaval! Mas, isso é outra historia…

Nas fotos, nossa sala.

sex and sampa

Até uns dois anos atrás, tudo na minha vida virava um post! Não é que eu compartilhasse taaaantos segredos da minha intimidade assim (quer dizer…não os mais secretos!), mas minha rotina sempre rendia um texto.

Eu costumava me orgulhar dessa capacidade de fazer crônica do meu cotidiano. Pode soar pretensioso, e soa mesmo, mas para quem quer viver disso como eu, tudo é matéria prima e jóia rara.

Aí, sai do meu idílio peruano, voltei à realidade brasileira, e parece que perdi o jeito. Ando com a impressão que o poder se quebrou ou, então, minha antena parabólica está com mau contato, já que ando desatenta com os detalhes da minha vida e com saudades daquela época quando até uma receita de bebidinha podia virar um tratado sobre orgasmo.

Por exemplo, como pude me esquecer e não transformar em conteúdo do Inconfidência o momento “Sex and the city” que tive com minhas amigas de trabalho dia desses?!

Éramos três e resolvemos sair para uma esticatinha depois do expediente. Começamos a noite até bem calminhas, falando da vida, de filhos e de contas pra pagar. Aí, a coincidência de uma estar se separando e a outra começando uma bacana história de amor com um recém-separado foi dando uma apimentada na noite! Isto e as bebidinhas, claro.

Duas garrafas e meia de vinho depois, falávamos e ríamos alto, confessando gostos e desgostos na “hora H”, compartilhando casos de outrora, especialmente os mais risíveis e emblemáticos – capazes de estragar uma noite com uma palavra errada.

Minha amiga lembrou da brochada que teve quando, nas preliminares com um cara que a atraia muitíssimo, ouviu o bofe convidá-la para uma “furunfada”! Quase caímos da cadeira de tanto rir. E ela, entre séria, tímida e, ainda, enojada, decretou:

- Ah, não, gente. Se tem uma coisa que eu não faço é furunfar. Uma mulher como eu não “furunfa”, nunca!

Pior que isso só “fazer um amorzinho gostoso!” E como uma história puxa a outra, nos lembramos de outra amiga que quase saiu correndo de um encontro ao descobrir que seu acompanhante guardava os comprovantes de cartão de crédito presos num clipe dentro da carteira.

Socorro!

Na mesa ao lado, uma figura que, carinhosamente apelidamos de “Shrek”, não conseguia controlar a “emoção” que nossa conversa lhe provocava. Ele esticava o pescoço, suava , se revirava na cadeira e comia!

A cada segredo de liquidificador que trocávamos, ele pedia um prato novo. E dá-lhe filé com mandioca, coxinha de carne seca e bolinho de bacalhau. Tudo com muita pimenta, que nem as torradas se salvaram. Ao final da noite, depois de muitas confissões e nenhuma pelota, ele desistiu e pediu uma sopa.

Também. Coitado. Fazer o que, né?!

Em 2007 publiquei o post abaixo, sobre meus gostos duvidosos, especialmente os musicais. O pessoal se entusiasmou e fez algumas boas confissões por aqui, com a queridíssima Beth dando umas dicas ótimas, uma delas até aproveitei, como vocês verão abaixo.
Mas, aí em 2008, alguém deixou um comentário que só vi por esses dias, com uma sugestão maravilhosa, que merece outro update.
Só vou logo avisando que o negócio é caliente, portanto, nem vou indexar o clipe aqui. Compartilho o link e quem quiser… que veja. Diversão garantida!
Com vocês, Tanga de Sereia!

Por falar nisso…

Ao ler este post, o Zé (@josealves), meu colega de trabalho, me lembrou do livro “Eu não sou cachorro, não”, de Paulo César Araújo, no qual o autor conta que cantores considerados cafonas, como Luiz Ayrão, Benito de Paula, Odair José, Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano e Nelson Ned foram limados da história oficial de músicos censurados pelo AI5 por puro preconceito e elitismo.

Segundo Paulo César Araújo, estes (e outros) artistas foram igualmente combativos ao regime como vários de seus colegas mais aceitos pela elite intelectual. Ou seja, nem só de Milton, Chico e Caetano viviam a música de protesto! No caso da produção do cantores ditos bregas, a crítica era mais de costume, de comportamento.

O próprio Odair José até excomungado foi, por conta do “Pare de tomar a pílula”, como já conversamos aqui mesmo no Inconfidência tempos atrás. Mais um motivo para revisitarmos nossos rótulos e gostos e assim conseguir apreciar melhos produções como essas aí de baixo! ;-)

Outro update imperdível!

Em novembro de 2007 publiquei o post abaixo, sobre meus gostos duvidosos, especialmente os musicais. O pessoal se entusiasmou e fez algumas boas confissões por aqui, com a queridíssima Beth dando umas dicas ótimas. Uma delas até aproveitei, como vocês podem ver abaixo, de uma banda de Recife chamada “Tanga de sereia”.

Mas, aí em 2008, alguém deixou um comentário que só prestei atenção mesmo por esses dias, com outra sugestão maravilhosa do “Tanga de sereia”. Quando vi o clip soube que este post merecia mais um update, mesmo que com mais de dois anos de atraso.

Mas, vou logo avisando que o negócio é “caliente”, portanto, nem vou embedá-lo aqui. Compartilho o link e quem quiser… que veja. Diversão garantida!

Com vocês, “Me chama de sereia”, com a sensacional Tanga de Sereia!

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Update imperdível (obrigadíssima, querida Beth!):

Eu gosto de muita coisa que vocês consideram brega. Gosto de combinar rosa com vermelho, de “Uma linda mulher”, de piña colada, da novela das oito, de pizza com ketchup e de macarrão com feijão. E só não molho o pão no café-com- leite de puro nojo, mas, admiro quem faz. Acho tão raiz!

Além disso, gosto de vestido de noiva, de batizado, peço a benção para a minha avó em qualquer lugar e sempre digo amém quando ela me abençoa. E já nem sei mais se o nome disso é breguice, saudade ou o retrato da minha educação mineirinha.

Enfim, uma das (poucas) coisas da maturidade é poder assumir isso sem medo de dar mancada. Não tenham dúvida, se eu tivesse um jardim, ele teria um gnomo no meio!

anao1.jpgNo quesito música, então, tenho ficado cada vez mais democrática. E não estou falando dos agora cults Sidney Magal e Reginaldo Rossi, não. To falando do Raça Negra, de algumas músicas do Roupa Nova e até mesmo de “O amor e o poder” (“Como uma deusa”), que eu cantaria sem problema num karaokê (apesar de ODIAR karaokê!).

Agora, o símbolo deste meu lado PF é, sem dúvida, “Sozinho” (quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Fala que ama, só que é da boca pra fora. Ou você me engana ou não está madura. Onde está você agora?!).

Sempre achei essa música muito bonitinha, desde a versão original do Peninha, passando pela levemente suingada da Sandra de Sá e culminando, obviamente, com a metida a bossanova do Caetano, que de tanto tocar ficou chata.

Pois, é. E isso é tão certo que eu acabei de ouvir mais uma versão de “Sozinho”, gravada em português com sotaque espanhol por ninguém menos que o insuportável do Alejandro Sanz, e adorei! E olha que eu odeio o Sanz.

Até pedi para o garçom do bistrô me mostrar o CD, que agora me esqueci o nome, mas sei que é uma coletânea de vários cantores e bandas hispanas gravando canções da MPB.

É. Eu sei. Mas, sinceramente, não to nem aí! ;-)

PS: Acabei de encontrar uma versão da Nelly Furtado pra “Sozinho”. Hheheehhehehe… Podre.

pois, é

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