um pouco de nós
July 23rd, 2008 por vanessa
Posso dizer com toda certeza que esta tem sido a experiência mais intensa da minha vida. Tão absorvente, por vezes tão esgotadora, que realmente não sinto vontade de compartilhá-la com ninguém. Vivê-la por si só já é suficiente.
No entanto, ao mesmo tempo, a gente tem a oportunidade de conhecer pessoas e histórias tão impressionantes, que a necessidade de conta-las é maior que o cansaço.
E, com isso, vai aprendendo a relativizar mais as coisas e, principalmente, a valorizar cada mínima conquista. Cada graminha que o Lucas ganha ao dia, me enche de felicidade, por exemplo.
Aliás, abro uns parênteses só pra dizer que ele está absolutamente lindo, sem corujice alguma!
E pertíssimo de vir pra casa. Nem acredito que já chegamos até aqui.
Bom, mas tudo isso é pra contar umas historias que realmente nos emocionaram e nos emocionam muito ainda.
Das crianças que já estavam lá quando chegamos, duas apresentavam o quadro mais grave. Uma, nasceu antes dos seis meses, com apenas 720 gramas! Chegou a baixar a 500 gramas e quando demos entrada, com o Lucas com pouco mais de um quilo, ela também estava por aí.
No meio do caminho, teve que fazer uma operação nos olhos, para evitar uma possível seqüela futura. E a gente ali, acompanhando tudo, de longe.
Hoje, 40 dias depois, é uma meninota, que deve receber alta no máximo em duas semanas, comilona, que agarra o peito da mãe como gente grande, assim como abocanha a mamadeira com o mesmo ímpeto. Não à toa, é a preferida de todos, inclusive da gente. Uma vencedora.
Por outro lado, havia um pequeno que já nasceu em estado grave, com um problema congênito nos rins. Sofreu várias cirurgias, teve que ser reanimado inúmeras vezes, mas acabou não resistindo. Faleceu há umas duas semanas e meia, mais ou menos.
Pessoalmente, preferi não me envolver muito, porque via os pais sempre tão aflitos, tão tristes, tão depressivos, que eu sabia que não teria estrutura para dar qualquer tipo de apoio. Estava focada tão somente no meu, que não tinha forças para animar ninguém. Ainda assim, senti muito este desfecho tão triste. Foi horrível, pra falar a verdade.
A expressão dos pais não me saia da cabeça.
Mas, aí, há uma semana, mais ou menos, nasceu um menino enorme, com quase quatro quilos, fofo, delicioso, com todas as características de uma criança absolutamente saudável.
Até que, no segundo dia, apresentou um quadro de sucessivas convulsões e, ao mapeá-lo, os médicos descobriram que ele teve uma espécie de embolia cerebral, se não me engano, ainda difícil de medir a extensão das conseqüências. Só o tempo dirá.
Imaginem o choque para os pais quando souberam da notícia, praticamente no dia de receber alta.
Pois o mais impressionante é que eles mantiveram uma atitude tão otimista, tão serena, tão maravilhosa, que até assustava. A impressão que dava é que eles nao sabiam direito o que estava acontecendo, tamanha a felicidade que demonstravam pelo simples fato do filho estar ali, vivo.
Nunca em minha vida encontrei pessoas com o espírito tão elevado, com uma atitude tão positiva.
Os dois nunca perderam a linha, nunca caíram na autocomiseração, nunca deixaram de ser amáveis com as pessoas, nunca deixaram de dar uma palavra de gentileza com a gente, os outros pais, e a todo o momento festejam esse filhote.
Gente, emocionante de se ver. Uma ternura sem fim.
Aliás, fiquei sabendo que, numa manhã dessas, o Lucas estava chorando de se esgoelar. Pois o pai do meninão teve a delicadeza de deixar o próprio filho sozinho um instante, tirar o meu do bercinho e embalá-lo até que ele se acalmasse.
Aí, conversando com ela, descobri que este foi um filho muito buscado, já que eles estavam fazendo tratamento há mais de cinco anos. Mas, o mais bonitinho pra mim foi saber que o nome do menino, Rodrigo, é em “homenagem” a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Segundo a mãe, numa dessas tentativas frustradas, eles foram ao Brasil pra espairecer. E numa noite deslumbrante à beira da Lagoa, o marido lhe garantiu que ela não se preocupasse, que ela conseguiria realizar o sonho de ser mãe. Ele lhe prometeu que eles teriam um filho. E assim foi.
Pode parecer piegas para muitos, mas, gente, quando você está ali, naquela unidade neonatal onde tantas crianças enfrentam algum tipo de dificuldade, este tipo de história parece pura poesia, pelo tamanho da esperança e do amor.
Amanhã, o pequeno tem alta. Deixei os pais tão completamente felizes agora de noite, que cheguei em casa exausta, mas cheia de paz. Uma lição de vida.
Uma honra conhecê-los.

Nossa, Van, chorei com esse post… Tomara que as seqüelas para o Rodrigo não sejam graves. E espero que vocês façam uma bela amizade com esse casal tão simpático.
Olha, já mandei as roupinhas de preemie, mas estou tensa porque elas têm que chegar logo aí, pois do jeito que o Luquinha tá crescendo, nem vai precisar mais de roupas de prematuro, he he he!
Vanessa, a vida é “piegas”. Boa sorte pra todos! Eu não conseguiria ter metade desse “equilíbrio” do casal descrito por você. A gente parece que não aprende com os problemas. ;-0
Cada coisa mais linda! É impressionante a capacidade de tirarmos força de situações tão doloridas!
Muitíssimo boa sorte para todos esses bebezinhos e pais!!!
Beijocas pra vc e Lucas fofucho!
eita Van, me arrepiei todinho lendo este post.
Realmente, é uma honra conhecer pessoas assim, né? Deve ser por isso ser tão honroso quanto ‘conhecer’ você.
Beijos querida, e que o Lucas, tal qual o ‘brother’, te dê cada vez mais bons motivos pra celebrar e se encher de felicidade.
Quando penso em hospital, sempre vem uma coisa tão triste, então é maravilhoso ler esse seu relato, ver que que apesar de tudo que você está passando, também está conhecendo pessoas super legais, que te dão cada vez mais força.
Para mim que sou sua fã, é uma alegria imensa saber que o Lucas já está bem perto de ir para casa e que você está ganhando uma experiência incrível com tudo isso. Só os sorrisos dele irão recompensá-la.
Beijos.
Vanessa será mesmo possível alguém achar piegas e não se emocionar com o seu relato?
É tão estranha a vida tenho uma prima que não tem condições nenhuma de criar um filho e nem estou falando de dinheiro… e ela teve cinco filhos quanto outras… é muito estranha a vida, não?
Que bom que seu Lucas está bem e já já poderão ir para casa.
Forte abraço sempre.
Gente, lindos comentários os de voces! Obrigada. E, olhem, a história deste casal é a mais pura verdade. Sao pessoas impressionantes mesmo.
Ao mesmo tempo, a gente se depara com cada um que parece piada de mau gosto. Hoje mesmo, uma criancinha estava com ameaca de parada cardiaca e, por isso, tiveram que colocar um cateter.
Obviamente,, por algumas horas nao se podia entrar no bercário. Pois teve um pai que deu o maior piti, porque nenhuma enfermeira estava disponivel para exibir seu filho para a familia que esperava do lado de fora. Quando lhe explicaram o que estava acontecendo, ele respondeu: “e eu com isso?! que o meu filho tem a ver se tem um bebe em estado grave por aí?!”
Gente, historia verdadeira. Eu estava lá. Triste, nao é?! Tenho pena dessa crianca, que será criada num lar de gente assim, sinceramente.
Vai ver a criança é um “espírito de luz” e vai ser ótimo pra pais assim. ;-0 Eu querendo ser otimista com o egoísmo e “umbiguismo” humanos. Bjs procê.
Por outro lado, Van, que sorte dos outros pequenos, que crescerão num ambiente de paz, tranquilidade… “a fruta sempre cai do pé”, diz um amigo. Imagine que história bonita vocês terão pra contar ao Lucas e Rodrigo!
Muita saúde a todos por aí!
Ola Vanessa, estou deixando um recadinho so pra te desejar mais força e animo para que vcs. Parabens pela sua serenidade e muita felicidade pra todos vcs!
Oi Vanessa!!!
Muito comovente a história do casal, e quando estamos vivendo problemas parecidos com o do próximo ficamos tão mais sensíveis, tão mais humanos, olhamos para o mundo com mais amor, eu acho.
Mas o mais legal é que a propria atitude do casal, faz com que todos em volta torçam muito pra tudo dar certo né!
Mas e o nosso Lucas como vai indo? Quantos quilos?? Manda fotos mais recentes pra gente ir se apaixonando mais e mais…
Manda muitos beijos pro Mateus,
Fica com Deus!
bjos
Nós, que estamos de fora, não temos condição de imaginar o que é viver uma experiência como essa. Nossa participação se resume em mandar nossas vibrações para vocês. Penso diariamente em vocês, mentalizando o Lucas forte, saudável e em casa.
Um grande beijo e fiquem com Deus.
Vanessa, pai e filhotes, que Deus os abençoe muito hoje e sempre. Só tenho a dizer isso. Abraçao.
Como é bom aprender sobre a vida com histórias de amor de pai, de mãe, de filhos, de superação e fé.
-
Raimundo Pajeú envia abração do sertão de PE.
Vanessa
Lendo seu post chorei e chorei.
Li para vozinha e ela disse:
- Que maravilha de pessoas!!!!
Beijos
Alê
Meus mais sinceros parabéns, ainda que atrasados, pelo nascimento do seu Lucas. E que prazer ficar sabendo de pais assim, que sao fonte de inspiracao e energia para tantos outros. Tudo de bom para vc e seu
pequeno, Sandra
[...] de sua super prematuridade? Pode ser. Alguns médicos dizem que sim e outros, não. O pediatra dele de Lima, aquele que o [...]
[...] implicava em ficar mais de 13 horas na maternidade, fazendo Canguru e colocando-o no peito: de domingo a domingo, durante dois meses e [...]