porto do desespero – IV
April 4th, 2006 por vanessa
A encruzilhada
A ligação caiu duas vezes antes de completar e, ao contrário do que pensou Daniel, não era da Mari. Era um médico explicando que a senhorita Mariana Ambrosio se encontrava em estado de coma num hospital de Montreal. Fora encontrada caída numa rua da cidade.
Finalmente, Daniel conseguiu vomitar o cheiro da carne adocicada que o atormentara toda a manhã. Não podia acreditar que era a sua Mari, mas quem mais no Canadá levaria o seu número de telefone na bolsa?! Estranho era que nem mesmo o contato de Roberto e Maíra, com quem ela morava no Canadá, estivesse em seus pertences. Mas, esquisito mesmo era o fato do médico que chamou falar português. Ou talvez, não.
Daniel não pensou em mais nada, apenas que precisava juntar sua bagagem e voar pra Montreal. Antes, precisava avisar os pais de Mari. Dr. Ambrósio, dentista afamado na cidade, decerto iria querer viajar com o ex-quase-genro. Do outro lado da linha, ouviu o velho mandar a empregada dizer que não estava, como o fizera da última vez que Daniel ligou para saber notícias da moça. Desligou o telefone puto, pensando: “que se foda esse esnobe filho-da-puta. Aviso de lá.”
Antes, precisava pedir dinheiro ao pai, já que estava duro por causa da compra dos móveis quando ainda acreditava que iria se casar. Seu Julio ou Julhão, como era mais conhecido, era apontador de jogo do bicho e, por causa da contravenção, era homem de muito valor. Mas, o negócio do bicho já não dava pra quase nada e ele só ficava na banca pela conversa fiada.Teve que fazer treta com uns compadres porque não tinha o dinheiro necessário para a viagem do filho.
- Taqui a grana, Dani. Tem até mais um pouquinho, para o caso de você precisar pagar alguma conta de hospital. Só que Arthurzinho e Baú pediram, em troca, que você levasse esta encomenda para uns camaradas deles lá no Canadá. Os homens vão te esperar no aeroporto… Não esquenta, que eles me afiaram que é limpeza… É só umas lembrancinhas…
Claro que Daniel ficou encanado de levar encomenda daqueles escroques de merda. Aliás, sinistro mesmo era que esses dois zé ruelas tivessem camaradas no Canadá. Se ainda fosse na Colômbia. Mas, na ânsia, aceitou sem vacilo. Os caras não iriam fuder o filho do companheiro deles na contravenção. Ao menos, o pacote era bem durinho, não parecia pó. Vai ver, era só fita pornô de baile funk e goiabada cascão. Guardou o bagulho na mochila e partiu.
No aeroporto, veio o pânico. E se desse merda?! Os caras metiam coca no cu, não iam meter numa lata fechada de doce?! E se ele parasse na cadeia por causa de Mariana, a piranha que nem o queria mais?! Entrou no banheiro decidido a largar a “encomenda” numa lixeira. Depois, inventava uma história, que tinha esquecido, perdido, sei lá. Se não fosse nada demais, os caras não iam esquentar muito. Se fosse, melhor para ele. Mas, e se Arthurzinho e Baú ficassem putos e descontassem no velho?! “Porra, será que essa puta merece tudo isso?! Dá uma luz aí, meu São Jorge”, pediu, enquanto escutava a última chamada do vôo e apertava o escapulário pendurado no pescoço.
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Este é um conto de muitas mãos. O primeiro capítulo foi escrito pela inventadora de moda, Ana Lúcia. O segundo, por Leila (que revelou seu lado Tarantino) e o terceiro, por Serbon (esse já é do ramo). O quinto capítulo passo para o Alex Castro (que quer continuar essa loucura!).

Ha ha ha, o tal Daniel estah se revelando um otario ao quadrado. Adorei, que bom !!! Beijocas.
Espero nao ter desvirtuado a intencao do aut@r…
Sem falar que é assim que comeca a saga de um herói…
wow!!!! acadê a continuação???
HA HA HA, estou dando gargalhadas com o seu texto, muito bom!
o Daniel é o único mané na história…
Serbon, o Daniel é o herói do bem…
Ao menos que ele seja cooptado pelo mal…
Ele pode nos surpreender, amigos…
só peço uma coisa: que o Daniel-san não encontre nenhum Mestre Miyagi que o mande lavar a louça, pintar a casa e passar cera nos carros. combinado???
Hahahahhahahahahahahahahahhahaha
Aí, é com o Alex Castro!