despertai-vos
April 9th, 2006 por vanessa
Li o livro do Biajoni numa sentada, coisa que, considerando a trama, é praticamente uma confissão de culpa!
É que “Sexo Anal – uma novela marrom de Luiz Biajoni” (presente da Leila que, acredito, acabou inaugurando uma espécie de “corrente por um best-seller”!) tem essa capacidade: de te prender até a ultima página, mesmo quando você acha que a história não passa de um amontoado de clichês. Porque foi justamente esta a minha primeira impressão. Passado o susto de ter uma heroína adepta a práticas sexuais pouco ortodoxas (na verdade, ainda um tabu para a maioria de nós) e sofrendo ela mesma de uma improvável e escatológica hemorróida, na segunda página comecei a achar que um livro cuja personagem principal é uma loira sexy, magra e de cabelos compridos com um namorado bobão, mas bom de cama, é lugar-comum até para um escritor em começo de carreira.
Até que passei para a página cinco. Aí, me deparei com uma pouco sutil, mas bem arquitetada trama na qual todos os personagens têm culpas e ninguém está a salvo de uma tara qualquer. Ou da mesma. Que a gente tem uma incrível capacidade de perdoar nossos pares, mesmo quando apregoa justiça para os que dela precisam. E que o clichê é uma opção consciente, cínica, debochada. E tudo isso a gente vai descobrindo sozinho, sem ninguém fazendo o papel de grilo falante. Não existe moral da história no livro de Biajoni. E no final, a gente termina praguejando: “putz, esse filhodaputa me enganou direitinho”.
Virginia (do latim: virgem, donzela, capaz ao matrimônio) é repórter em começo de carreira num jornal de imprensa marrom, do tipo espreme sai sangue. Por caminhos enviesados, tem sua grande chance ao ser escalada para acompanhar o jornalista mais experiente do jornal na investigação de um crime escabroso ocorrido na pequena cidade onde vivem. Pouco antes disto, ela decide operar as hemorróidas com a firme intenção de incrementar mais ainda a sua, já movimentada, vida sexual. O efeito colateral da decisão é descobrir que as pessoas e os sentimentos nem sempre são o que parecem e que bunda exposta é mesmo uma posição que nos deixa vulneráveis para burro, mesmo quando a gente gosta. Ah, sem falar que quando se trata da vida alheia os maçons desconhecem o significado da palavra “segredo” .
A partir desses dois fatos, a vida da menina dá uma guinada de 360 graus – porque no final é isso mesmo, a volta ao começo. De um lado, a profissional descolada e talentosa, mas ainda bobinha; de outro, o submundo da bandidagem, com seus personagens sujos, pretos e fudidos. No meio, a amiga bi, que guarda um tesão mal resolvido pela repórter (e, de longe, minha personagem preferida); o namorado e seu homônimo mais velho, pai de uma menina pura, pero no mucho e todos os personagens periféricos que passam pela vida da repórter.
Quase todos têm boa intenção e ao mesmo tempo, não – porque vaidade e tesão são primos-irmãos da sacanagem. E todos são tão humanos que chegam a criar um misto de repulsa e empatia. E a vontade que fica, no final das contas, é a de passar horas perguntando a Biajoni se criar dois personagens com o mesmo nome foi mesmo uma sacada de mestre e se realmente a Ana (do hebraico: cheia de graça, a benéfica) tem pinta de heroína de verdade ou se é só porque eu gosto de outsider – na maioria das vezes, mais honestos e muito mais inteligentes.
Sem dúvida, todo o mundo deveria ter a chance de ler “Sexo Anal – uma novela marrom de Luiz Biajoni”. Se é que é que fui clara.
PS: E não percam lá no Tordesilhas análise da embolada eleição no Peru . Imperdível!

putz, van. chorei com tua resenha. linda mesmo.
beijo grande.
:>)
Tá ótima mesma a resenha, Van!
Obrigada, Leila!
Van nem li toda a sua resenha que é pra não estragar a minha surpresa. A Leila também me mandou esse arquivo e eu comecei a ler as primeiras páginas na tela, mas estou esperando uma folguinha e imprimir o livro todo aqui no escritório. Tô sem cartucho em casa
Li tb numa sentada (no computador) e gozei , ops, gostei bastante. Tem um ritmo bem legal. Valeu a resenha, está ótima. Bj
Marcinha, tentei ao máximo nao contar muita coisa, mas que dá vontade, dá…
Heheheheheh Guga, é verdade, o livro provoca algumas reacoes físicas mesmo…
Vanessa,
Passando só para saber notícias!
Desejo uma ótima semana… depois volto com calma para reler tudo que perdi!
Bjo Karinhoso,
Ká
ainda estou lendo o livro…. por isso só li o começo deste post!!!!
Oi Ká, seja bem-vinda de volta! Ve se aparece mais vezes!!!
Uai, Serbon, mas se eu nem contei o final?!
Muito bem Vanessa! Resenha maravilhosa e nao poderia ter resumido a grande obra do querido Bia tao bem…. aí Bia, quando eu li voce perguntou o que eu achei… se eu soubesse escrever, teria escrito como a Vanessa….
Obrigada, Juju!
Eu vou atraz desse livro para eu ler e também poder dar a minha opinião sobre ele.
Por enquanto li dois comentários o teu, e de outra pessoa que me foge o nome agora.
Eu não julgo ser muito difícil se discorrer sobre os temas sexo, acrescido de investigações de jornal. Por entre estes dois pilares se pode jogar o mundo inteiro. Agora pelo entusiasmo sentido nos dois referenciais que vi, o livro deve ser muito bom mesmo.
Também queria te mostrar uma coisa – literata – e receber depois de ti, como se chama uma resenha. Nunca mais eu tinha ouvido falar: resenha
QUE SEJA ASSIM
Às vezes penso na vida que eu teria,
se outra vida escolhida me fosse dada,
quem sabe se coragem me faltaria,
para andar de novo pela trilha errada.
Quem sabe se o destino em pedraria,
de bondade fosse agora transformado,
quem sabe se obstinação encontraria,
para evitar os malogros, desastrados.
Podia ser, e a isso nem eu respondo,
no medo que aos olhos me torpeda,
o angustiado, sem queixa, ou maldade.
Pois que em minha vida, nada se mude,
quero sonhar da sorte, ao golpe rude,
que se faça em mim, vida, tua vontade.
naeno:apanhados