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A distância sempre engrandece o amor. Sou um eterno enamorado do sexo feminino. Enamoro-me com facilidade, mas agora de maneira mais platônica. Nenhum amor é igual ao outro. O amor tem muito de química e há tantos amores quanto química. O amor também necessita táticas. É uma contradição. Sem contradição não se alimenta. Há amores mais curtos, mais longos, mais pacíficos, mas sempre tem que haver paixão.

Eu era um pouco tímido na hora de enamorar as garotas, mesmo gostando muito de faze-lo. Um homem sempre gosta que o enamorem, mas eu preferia fazer com se enamorassem de mim, porque quando me enamoravam, às vezes eu me sentia acuado, não sabia como agir. Como que me irritava que me assediassem.

Não é recomendável nem prudente que uma mulher enamore a um homem, embora não deixa de ser agradável, se ele gosta da garota. A mulher nunca deve demonstrar a um homem que o quer demasiado, porque quando o homem percebe que estão apaixonadas por ele, se dá muita importância. A indiferença é o maior estimulante do amor.

No final das contas, estou no meu terceiro livro. Tanto o da Isabel Allende (Retrato en Sepia) como o de Laura Esquivel (Como água para Chocolate) são bem fáceis de serem lidos. Daqueles que a gente lê numa sentada, sem dor nem paradinhas para descansar a cabeça. Como eu previa, o de Allende é pueril. Bonitinho, mas ordinário. Bom de forma, com um conteúdo a desejar. Já o outro é mais gostoso. Mais romântico e mágico. E um pouco mais elaborado. Quem viu o filme sabe do que estou falando.

Daí que no pique de leitura, acabei descobrindo “Mulheres de Ditadores”, de Juan Gasparini (ed. Peninsula/ Atalaya). Como o próprio nome diz, trata das companheiras dos grandes ditadores do século XX, como Fidel Castro, Pinochet, Ferdinand Marcos, Fujimori, Jorge Rafael Videla e Slobodan Milosevic.

Além deles, o autor ainda dá uma pincelada na vida amorosa de Hitler (que só continuou o romance com Eva Braum depois de se assegurar que ela realmente não tinha nenhum parente judeu em sua árvore genealógica), Stálin, Salazar e do generalíssimo Franco.

Foi justamente deste livro que tirei o extrato acima (tosca e preguiçosamente traduzido por mim), que mais parece o conselho de uma das personagens de Allende ou Esquivel (ou daquela tia sábia que todo o mundo tem na família) que o do comandante Castro, um homem tão controverso e que tanta paixão é capaz de gerar, seja ela política ou sexual. Quem diria…

Não sei se é o cinza depressivo de Lima – que ultimamente vinha sugando a minha energia e bom-humor-, mas o certo é que desde que cheguei tenho me sentido super sensorial, cheia de paz e de idéias. Há um clima natureba por aqui que contagia. Muita pulseirinha trancada, descendentes indígenas com seu natural layout riponga e um tênue, mas onipresente, cheiro de maconha no ar. Quem já andou por Trindade, perto de Paraty, sabe do que estou falando (embora, pela baixa temporada, a cidade está super vazia, não parecendo em nada com o formigueiro da brasileira).

Não fossem as cabines de internet (que neste momento está tocando Shakira com Alejandro Sans) espalhadas pela única rua do centro de Mancora, dava até para acreditar que isso aqui é o paraíso. E eu venho, cada vez mais, me surpreendendo com a minha capacidade de sentir felicidade com pouca coisa: uma rede, um livro, água gelada, música boa e nada mais. Mais um pouco disso aqui e eu viro o Macunaíma!

3 Pitacos para o post “lição de amor e sexo segundo Fidel Castro”

  1. em 03 Nov 2005 às 10:42 pm Denise Arcoverde

    Vanessinha, o Peru é o paraíso dos viciados em Internet, né? um cybercafé em cada esquina… estou impressionada com sua disposição de continuar postando todo dia num paraíso como ess4e daí :-) Gosto de ver assim! beijoca!

  2. em 04 Nov 2005 às 10:10 am Guilherme

    Que bem que esse lugar faz p/ a criatividade e a produtividade, hein?
    Taí, “Diários de Mâncora”, seria um bom título…

  3. em 04 Nov 2005 às 3:33 pm vanessa

    Pois, é, amigos, o lugar inspira mesmo. Muito embora, Denise, minha necessidade de visitar uma cabine de internet cinquenta vezes por dia foi por razoes bem menos poética. Eu precisava fechar um texto e tive uma intensa troca de e-mails com minha parceira nos últimos dias. Daí, como uma coisa leva a outra e já que estava por aqui… ;-)

    E ainda tem outro, no forno, quentinho e prontinho pra sair, sobre uma passagem relacionada ao casal Pinochet. Mas, esse eu só publico de noite, quando chegar em Lima. Pois, é. Infelizmente, acabou-se o que era doce. To voltando… :-(

    Beijoes,
    Vanessa

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