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na contramão

Congresso peruano debate projeto que descriminaliza sexo consentido com adolescentes

Já está em debate o projeto que deixa de tipificar como violação sexual relações sexuais consentidas entre adolescentes (a partir dos 14 anos) e pessoas adultas.

Para Alejandro Rebaza, congressista aprista (do partido do poder), que lidera os apoios ao projeto, a mudança “busca corrigir a valorização do exercício da sexualidade entre pessoas cuja idade estão fixada entre 14 e 18 anos”.

Sua colega Rosário Sasieta também se mostrou a favor da modificação legislativa e argumentou que se trata de “sinceramento legal”, já que o Código Civil apóia que uma pessoa maior de 14 anos contraia matrimonio.

A congressista lembrou também que, dependendo da zona geográfica do país, o inicio da vida sexual é cada vez mais cedo.

switch2.jpgPara Maria Pia Hermoza, coordenadora da ONG Acion por los niños, permitir que adultos mantenham relações sexuais consentidas com menores de idade de 14 a 18 anos facilitaria que muitos estupradores utilizem desta figura jurídica para abusar de adolescentes.

“É difícil provar a sedução, o engano ou a pressão psicológica de um adulto sobre um menor de idade e essas intenções poderiam se esconder detrás de esta nova abertura…”

A ministra da Mulher e Desenvolvimento Social, Virginia Borra, recomendou que os legisladores analisem com responsabilidade e prudência o impacto da norma. Cerca de 45% dos adolescentes afirmam que desconhecem ou não tem informação sobre temas de sexualidade.

Sempre lembrando que, segundo dados relatório “Ausências”, do projeto “Niños del Milênio***”:

- um em cada dez estudantes peruanos foi abusado sexualmente
- aliás, no Peru acontece cerca de 30 estupros por dia, sendo 7 de cada 10 vítimas, menores de idade
- estima-se que oito em cada dez casos de abuso sexual tenha como algoz um membro da família da vítima, e que 7 em cada 10 casos de gravidez em meninas de 11 a 14 anos sejam produtos de incesto ou estupro

Ilustração daqui

47 Pitacos para o post “na contramão”

  1. em 15 May 2007 às 11:57 am Denise Arcoverde

    Menina, que absurdo! 14 anos é quase uma criança! isso me lembra essa novela nova, que eu tô assistindo e sempre tem um velho canalha a esculhambar com as meninas de 16, 17 anos que são perigosas e seduzem os tadinhos dos marmanjos… um absurdo mesmo!

  2. em 15 May 2007 às 12:06 pm Marcus

    Sou a favor.

    O título do post está corretíssimo. Essa medida está na contramão dos clichês politicamente corretos, que, a pretexto de proteger a exploração, acabam promovendo aquela velha (e falsa) imagem do adolescente como alguém “seduzido” ou “enganado” pelo mais velho.

    Isso é conservadorismo. Ponto.

    Adolescentes não precisam de nenhum estímulo pra fazer sexo, e não vejo grande diferença entre o adolescente fazer sexo com alguém de sua idade ou com alguém mais velho.

    Aliás, ao contrário do que imagina o senso comum, o Brasil também tem os 14 anos como a idade do consentimento sexual, apesar de alguns pontos dúbios da nossa legislação, como o crime de “corrupção de menores”. A derrubada do antigo crime de “sedução” mostra bem isso.

    Estou com muita vontade de escrever um post sobre isso, mas cadê disposição?

  3. em 15 May 2007 às 12:15 pm Maharani

    Absurdo. Vai nivelar todos os adolescentes de 14 a 18 anos no mesmo patamar, emocionalmente e fisicamente, quando o processo de crescimento é particular de cada um e varia demais da conta.

    E quem é que diz que adolescente de 14 anos tem capacidade para decidir se casar???

    Bjs

  4. em 15 May 2007 às 12:35 pm Gi

    Denise, que novela é essa, é brasileira? Se for eu já sei de que velhote você fala. ;-)

    De qualquer forma, eu acho que 14 anos é um pouco criança – na minha época sobretudo. Apesar da minha suposta ingenuidade e de ouvir minhas amiguinhas peruando e dizendo “não pode deixar o menino passar a mão”, eu gostava do “esporte” déjà e achava que elas estavam erradíssimas. hehe Não tenho vergonha de assumir. Evidentemente nada deve ser às pressas. Incentivar a rapidez é perigoso e de repente esta lei vai provocar isso, mas dizer que pulsões sexuais são completamente ignoradas numa idade dessas é negar o ser humano na sua totalidade. Tudo bem que eu nem sabia o que era orgasmo direito, mas o desejo desponta absurdamente nessa idade.

  5. em 15 May 2007 às 1:42 pm Marcus

    Está havendo algum problema, Vanessa, pois já postei duas vezes um comentário e ele não apareceu.

  6. em 15 May 2007 às 2:20 pm vanessa

    Marcus, caiu no spam, por isso o comentário nao aparecia.

    Por enquanto, sou totalmente contra. Mas, concordo que tema ainda é bastante controverso e nos coloca em xeque em várias situacoes, especialmente por envolver sexualidade e adolescencia.

    Sem falar que, mesmo em outras áreas, tudo o que envolve adolescente e legislacao sempre gera muitos debates (vide a questao da reducao da maioridade penal). Por isso, eu defendo a aplicacao de marcos psicologicos e legais minimos, para que a lei seja mais palatável e possível de ser aplicada.

    O título foi justamente por acreditar que esse afrouxamento da lei está na contramao do que dita (ou deveria ditar) os direitos da crianca e do adolescente. Que eu saiba, a nossa legislacao tem os 14 anos como idade mínima para o consentimento sexual (exceto, é claro, nos casos de prostituicao e pornografia infantil), desde que seja com o conhecimento e consentimento dos pais (sim, isso parece surreal, mas com uma certa beleza também, o que é outra história). De qualquer forma, esta orientacao vem ancorada em outras normas mais rígidas e mais claras orientadas pelo Estatuto da Crianca e do Adolescente, coisa que nao é caso por aqui.

    Eu acho que existe uma diferenca enorme entre o adolescente ter sexo com alguém da sua idade e alguém mais velho, em tese mais experiente, que pode exercer uma pressao psicológica, de poder e tal.

    Acho que relativizar a esse ponto é bastante perigoso, abrindo espaco para uma série de situacoes aberrantes, especialmente num país como o Peru, onde o poder público assume pouca ingerencia na vida privada das pessoas no que diz respeito a protecao da infancia e adolescencia. Existe uma relacao patriarcal altamente deleteria regulando as relacoes sociais, familiares, escolares, que coloca os adolescentes numa situacao de muita fragilidade e desprotecao. As histórias sao escabrosas.

    Concordar totalmente com a coordenadora da ONG Acion por los niños, que disse que é difícil provar a sedução, o engano ou a pressão psicológica de um adulto sobre um menor de idade e essas intenções poderiam se esconder detrás de esta nova abertura da lei.

  7. em 15 May 2007 às 5:00 pm Denise Arcoverde

    hahahaha… adoro sua “assertividade” nos comentários, Marcus: “Isso é conservadorismo. Ponto.”… se não for pedir muito, vou discordar do seu “ponto” e continuar a discussão.

    Primeiro, eu nunca disse que as meninas (e meninos) são coitadinhos inocentes seduzidos pelos coroas. Claro que o jogo de sedução rola pra todo lado, cabe aos mais maduros terem juízo e saber o que estão fazendo.

    Aliás, um post que tá na minha cabeça há tempos é “a favor das vagabas”, o Brasil faz as meninas se tornarem “vagabas” desde cedo, pra depois detoná-las como “Piranhas”… mas isso é outro papo. “Inocentes” ou “vagabas”, as meninas são vítimas de um jogo de poder e uma falta total de saída na vida, por isso nos preocupamos tanto com elas… (ou talvez porque eu tenha tido uma filha ou porque trabalhe com questões de mulheres…)

    Claro que pode haver uma relação entre uma menina de 14 e um cara de 19, 20, sem grandes traumas, mas essa lei escancara as portas pra que os pedófilos façam a festa, legalmente. Como, aliás, fazem no Brasil, como vo ê bem lembrou…

    Sexo consentido? o que é esse “consentido”? até que ponto é sexo induzido por acreditar que alguém mais maduro, mais poderoso pode trazer benefícios que ela espera? continua sendo “consentido”, mesmo assim?

    Eu acho que em lugares onde as meninas são menos exploradas sexualmente, principalmente por ter muitas expectativas de vida fora do casamento como estudar, fazer faculdade, conseguir um emprego, seguir uma carreira, essa questão é totalmente diferente. Para meninos e meninas.

    Na Suécia, por exemplo, pode ter um caso ou outro, mas eu NUNCA vi uma menina casada com um homem muito mais velho, como acontece o tempo todo no Brasil. Eu e Ted éramos olhados assim meio de lado.

    Claro que existem casamentos com homens bem mais velhos como o meu, de Ana, Alexandra, mas nós éramos beeeeeeeeeeeem mais velhas e aí a diferença de idade nem conta mais.

    O tal do “cross generation marriage” é comum na Africa, America do Sul e Asia, por razões óbvias.

    No Brasil (e, provavelmente no Peru), as meninas estão cada vez mais perdidas, sem nenhuma expectativa de vida e acreditam que arrumar um marido – principalmente se ele já tiver condição de sustentá-la – é a única saída.

    Aí é onde entra a sedução do homem coroa, que tem um cafofo e promete mundos e fundos pra agarrar a menininha de carne nova. Eu mesma sei de muitos casos, todos com final bem infeliz.

    Teoricamente, as meninas de 14 anos são bem esperttinhas, mas quando você conversa com elas (eu tenho uma filha e acompanhei ela e as amigas em todas as fases da vida), são umas crianças e facilmente engabeladas.

    Claro que são enroladas por meninos da idade dela, mas aí, mesmo com todas as promessas de amort eterno, eles estão na mesma condição. A pressão de poder que existe de um homem mais velho em relação a uma meninas mais jovem é outra coisa totalmente diferente.

    Quanto ao caso dos meninos, a gente não vê tantos casos de mulheres mais velhas seduzindo garotos, no Brasil, mas pra mim o que interessa é se existe uso do poder na relação.

    Claro que pode até ser exagero, tem casos como o do filipino e a professora, teve também a Eliane Maciel, nos anos 80, que escreveu o “Com Licença, eu vou a Luta”, mas essas são exceções e não se protege as crianças e adolescentes baseados em alguns poucos contos de fadas.

    Pra cada caso desses, existem milhares de meninas seduzidas e abandonadas (muitas vezes com AIDS), depois de um sexo “consentido”.

  8. em 15 May 2007 às 5:09 pm Denise Arcoverde

    Gi, caro que o desejo sexual existe, e eu adorava o pega aqui e ali, nessa idade, as meninas estão descobrindo o corpo e adoram se sentir gostosas e seduzir, inclusive os coroas, não é a toa que Nabokov escreveu o Lolita, nada contra, inclusive as meninas transarem aos 14 anos… com alguém que tenha mesma experiência de vida. Cabe ao cara que é mais velho, segurar sua onda. Senão, devia ir pra cadeia mesmo. Se isso é conservadorismo, eu não dou a mínima…

    Dia desses vi um filme aqui com um cara de 22 anos, dizendo que tava esperando a namorada de 17 fazer 18 pra os dois transarem, parece absurdo, a sociedade americana é puritana mesmo, mas prefiro isso, à cachorrada que anda no Brasil, onde não existe um mínimo de respeito pelas meninas.

  9. em 15 May 2007 às 5:17 pm vanessa

    Sem falar que esse tipo de leitura (que abranda a lei)abre espaco para uma série de precedentes no que diz respeito aos outros direitos dos adolescentes. Do tipo: ele tem consciencia e pode ser responsabilizado por todos os seus atos de maneira indiscriminada, sem levar em conta contextos sociais, políticos, psicológicos e tais.

    Prazer em ser tocado, por exemplo, rola até em bebes. Ninguém é doido de negar que a gente sente prazer físico praticamente desde que nasce. Bebes tem erecao quando a mae os toca no banho ou na troca de roupas. As criancas comecam a se masturbar por volta dos seis anos de idade, gente! Até por isso é tao fácil seduzir uma crianca ou adolescente, especialmente com promessas.

    É claro que, muitas vezes, o sexo acaba sendo ou parecendo, “consentido”, como bem lembrou a Denise. Mas, até que ponto esse consentimento foi baseado num desejo real, numa consciencia do que se estava fazendo e querendo?!

    Até que ponto a crianca ou adolescente, ao se dar conta que nao quer, vai conseguir se defender e recusar uma situacao constrangedora?! Se a gente nao estabelece marcos mínimos, baseados em estudos psicólogicos, inclusive, me parece muito mais um retrocesso e nao algo inovador. É voltar a uma sociedade na qual o conceito de crianca e adolescente nao existia e eram todos tratados como projetos de adultos, sem necessidades e direitos especificos.

    Sinceramente, se esta lei for aprovada, me parece a legalizacao da bandalheira.

    E tem mais: os argumentos usados pelos congressistas peruanos que apóiam a lei sao dos mais estapafurdios. Parece aquela historia do “tirar o sofá da sala”: “ja que nao se pode coibir, legalizemos a situacao”.

    Essas meninas nao tem muitas opcoes e o casamento, muitas vezes, representa a única forma de sobrevivencia. Mas, eu sei de muitas histórias que contam que elas vao a contra-gosto. Algumas, muitas, sao barganhadas pelas famílias ou sao vítimas de estupro e o casamento funciona como forma de “punicao” do agressor. Casando, fica tudo bem. Ninguém é punido.

    Tem muito caso de incesto também. O poder público ignora essa realidade e o Estado nao chega até aí. O casamento precoce nao vem por gosto ou por tesao, vem por coacao (social, física ou emocional). Sem a menor dúvida, como disse a Denise, se elas tivessem mais oportunidades, se pudessem estudar e se independizar, nao teriam o casamento precoce como prioridade de vida. Sem contar os casos absurdos e crescentes de professores que seduzem alunos com promessas de boas notas. Isso é muito comum também.

  10. em 15 May 2007 às 5:52 pm Gi

    Denise, não acho você conservadora mesmo. Acho que você está certa e sou a primeira a concordar contigo; tudo que você falou eu já “cantava” no meu antigo blog, mas talvez a diferença seja de postura, porque eu não acredito muito em mudanças, apesar de todas as campanhas e conscientizações, apesar da força das feministas (elas mudaram concretamente, eu sei, nós devemos isso a elas, mas a “cabeça do homem” em si não muda), o mundo é mesmo do “falus”. Não consigo pensar diferente até porque minha história de vida sempre me mostrou o contrário. Sou bastante fatalista nesse aspecto e uma “feminista meio ao avesso”, da corrente da Paglia. Quem sabe um dia mude. ;-)

    Eu já englobo mais “outras meninas” que dizem que “ai, eu não preciso de $”, mas a situação está ruim demais pra todo mundo. Além disso, eu era mal-compreendida porque fazia crônica-piadística e até exagerei um pouco… ;-) ) Não dou o peixe; ensino a pescar. Até porque ninguém me deu peixe nenhum. Eu sofri na pele e também tive muita coisa boa na vida. O que eu questiono é o seguinte: não é só pobre procurando o bem-estar financeiro por um casamento; é todo mundo e seu Raimundo. O mundo está terrivelmente competitivo e a nova geração (depois da minha) é muito individualista e amoral.

    As diferenças são também estabelecidas na retórica da pessoa e de repente no fato de que algumas mulheres (e homens também, mas é mais raro) não foi obrigada a optar pela $ e pela segurança diretamente, mas indiretamente. E também tem outra razão: não houve um pagamento direto, mas indireto e essa pessoa pode nutrir carinho por este “pagador” e esse relacionamento parecer natural. Vejo semelhanças entre vários casos e não condeno mesmo as mulheres que prezam a segurança nas suas vidas.

    Sobre a relação erótica de maiores com menores de idade: o que tem de homem pedófilo aí não tá no gibi mesmo. Você tá certíssima em dizer que o Brasil cria isso (”faz a piranha”) e depois condena esse mesmo molde na ideologia, na mídia, nas instituições. E também por essa razão todo mundo acha melhor casar com um estrangeiro e então estará fora do “circuito bordel direto”. Melhor a “inquisição” e a fogueira em London do que no Rio. ;-)

  11. em 15 May 2007 às 6:13 pm Denise Arcoverde

    Gi, eu discordo totalmente de que não dá pra mudar´a cabeça dos homens, taí renato, Ted, meu irmão, o namorado de Bia, muitos amigos que tenho, muitos maridos de amigas minhas. São homens que não existiram nos anos 50 e são bem reais.

    Eu achei Camile Paglia o máximo nos anos 80, quando fez o elogio à madonna, hoje ela é retratto da decadência. Vi uma entrevista com ela, dia desses que foi patética. Ninguém se segura por muito tempo sendo artificialmente polêmica, ela nem sabe mais o que tá falando, é uma Mainardi do movimento.

    Agora, pobre ou rica, a relação das meninas com homens mais velhos é quase sempre de dependência. Uma precisa de um lugar pra dormir, a outra precisa atender a seus interesses de ultima bolsa da detestável Victor Hugo. Seja como for, gostaria que as meninas não precisassem de ceder à sedução de um homem mais velho pra ter um prato de comida ou a bolsa da moda.

    Quanto a ser um relacionamento “natural”, quase nunca é. Quem tem poder econômico, ou poder emocional, comanda e aí é uma relação desigual e perigosa. Um dia, a casa cai.

    Beijocas!

  12. em 15 May 2007 às 6:51 pm Gi

    É vero, Denise, quem tem banca põe banca, o ditado já diz. E eu completo: o “falus” comanda mas isso não nos impede de ter um mental. ;-)

    De repente, a Paglia ficou “artificialmente polêmica”, mas vai ver ela aprendeu com aquela que justamente “serviu” pra elogio na época: a sua “amiga” Madonna. A Madonna foi duramente criticada por Camille depois, e muito bem criticado por sinal. A Camille pode estar em decadência pra algumas pessoas que comandam os “media”, mas as idéias dela pra mim são eternas. A criação que vale. Acho ela ótima.

  13. em 15 May 2007 às 6:53 pm Gi

    Lembrando: sobre os teus exemplos, não posso falar, você me entende, pois não conheço as pesosas intimimamente, mas já que você comentou, enfim: posso falar de repente do meu pai, do meu namorado, do porteiro aqui do préido amigo do meu pai. ;-) Bjs

  14. em 15 May 2007 às 7:14 pm Denise Arcoverde

    O caso é que nem tudo está perdido :-)

  15. em 15 May 2007 às 7:14 pm Leila

    Eu estou em cima do muro nessa historia, porque essas leis sempre vem com alguma brecha ou armadilha que poucos percebem… Mas sem conhecer a lei direito, vou dar meu pitaco: acho que se o casal tiver entre 14 e 18 anos, o sexo consentido nao teria problema, mas se o homem adulto seduzir uma menina abaixo de 14 anos (ou menino), ai’ e’ grave e deve ser criminalizado de alguma forma.

  16. em 15 May 2007 às 7:15 pm Denise Arcoverde

    Ai, Gi, vou te mandar umas coisas dela, o fato é que as pessoas mudam… pra melhor e pra pior (inclusive Madonna ;-)

  17. em 15 May 2007 às 7:31 pm Gi

    Tô lembrando do caso de um cineasta que eu amo de paixão: Roman Polanski. Ele nem pode entrar nos EUA, vocês sabem porque, né? Até morro de rir por causa disso porque nos filmes dele (especialmente aquele The Ninth Gate”, “O Último Portal”) as cenas passadas nos EUA são tão bem-feitas, mas a gente fica pensando: ahh.. caramba, o kara não pode pôr o pé lá nunca mais! “Comeu” a garotinha de 13 anos. Foi um escândalo na época. Sei lá o que houve…

  18. em 15 May 2007 às 8:02 pm Gi

    Olha, esse post está me dando “furores de duplos sentidos”. ;-) Querem ver pior que essa lei, pior que tudo, pior que Xuxa, Madonna, tudo?

    http://www.youtube.com/watch?v=6TVPYrCdP-k

    Gainsbourg já sabia… Aquele lá.. un malin! ;-)

    Meu namorado tinha me falado dessa música, mas eu nunca tinha visto o clip, nem muito menos visto a letra, apesar de adorar France Gall e o autor da música. Como estou caçando clips no You Tube e estou adorando, achei esse. França é um país “há anos luz” nesse sentido e no universo ped., mes amis.

    http://www.lyricsdomain.com/19/serge_gainsbourg/les_sucettes.html – a letra pra quem entende o francês. Mas faço questão de apontar alguns trechos muito interessantes, mas o problema.. não “pour une jeune fille”:

    “Parfumé à l’anis – com sabor de anis/perfume de anis
    Coule dans la gorge d’Annie corre na garganta de Annie
    Elle est au paradis” Aí ela fica/tá no paraíso..

    Essa então, é de rolar de rir ou de chorar:

    “Pour quelques pennies Annie
    A ses sucettes à l’anis”

    Por alguns trocadinhos Annie
    tem seus pirulitos sabor de anis

    Sem contar as cantigas que minha própria avó me cantava. Quase tudo tem conotação sexual nesse mundo, difícil mudar.Eu gosto muito, morro de rir, mas imagine meu “inconsciente infantil” ouvindo uma música dessas se eu fosse criança e francesa ou compreendesse muito o francês na época? Ainda questionam se France Gall sabia o que estava cantando. Pra mim claro que não fazia nem idéia, mas a homenzarrada em volta sabia muito!

  19. em 15 May 2007 às 8:29 pm Denise Arcoverde

    Pois é, Leila, é o que eu penso, mas acho difícil que façam uma emenda como essa. Eu nao tenho absolutamente nada contra menina de 14 anos transar com menino de 14, 15, 16, 17, 18… agora, abrir a brecha pra que quarentão pedófilo venha oferecer mundos e fundos pra enrolar menininha de 14 anos, aí não dá, né?

    Pois é, Gi, e tem também o Jerry lee Lewis que casou com a prima de 13 anos e foi feliz com ela por muitos anos. Tem de tudo nesse mundo, o problema é a gente legislar com as exceções, pra cada uma dessas, tem um monte de menina sacaneada por marmanjo coroa. beijoca!

  20. em 15 May 2007 às 8:32 pm Marcus

    Desculpe minhas frases peremptórias, Denise. Sei que às vezes isso é antipático, mas eu mantenho o que disse. Acho conservadorismo sim.

    Pedofilia é o desejo sexual por crianças, indivíduos que ainda não chegaram à puberdade. Não se aplica ao caso, embora ultimamente esse termo esteja ganhando uma definição por demais elástica. Pra reformar as idéias, começam reformando a linguagem.

    O resto dos meus argumentos eu coloquei no meu blog.

  21. em 15 May 2007 às 8:34 pm Regina

    Denise e Van,

    Adorei os comentarios. Na minha opiniao, nao ha como comparar sexo entre adolescentes da mesma idade (ou de idades proximas) com sexo entre homens adultos e meninas de 14 anos.Especialmente, considerando a situacao do Peru (e muito provavelmente do Brasil) como voce ja falou, Van. Acho que essa lei corre o risco de potencialmente legalizar abuso de meninas.

    E’ claro que adolescentes sentem prazer, tesao, etc… mas a questao toda para mim esta no jogo de poder, na desigualdade do poder, devido a varios fatores, tais como: poder economicos, nivel de maturidade, experiencia de vida e tudo mais.

    Gi, eu discordo que as coisas nao possam mudar. O patriarcado nao ocorre “naturalmente,” e’ uma criacao social e historica. Por ultimo,nao me leve a mal mas francamente, para mim nao importa se Roman Polanski e’ um cineasta fantastico ou nao. A meu ver, so’ um homem muito inseguro (ou com problemas) nao consegue se controlar diante uma menina de 13 anos. Mesmo que ela fosse a Lolita personificada, ainda assim nao justifica.

    Sim, os Estados Unidos sao mais puritanos, mas eu ainda prefiro morar num lugar que da’ cadeia ter sexo com menores do que os exageros que eu vejo no Brasil.

    Denise, voce simplesmente arrasou e disse tudo que eu teria tido e ainda mais.

    Beijos a todas,

    Regina

  22. em 15 May 2007 às 8:59 pm vanessa

    Os comentários estao ótimos mesmo, Re, e sua contribuicao, assim como a da Denise e o Marcus iniciando a polemica (e todos os outros, obivamente) enriqueceram mais ainda o debate. Acho que as opinioes estao postas e eu reitero a minha crenca de que a mudanca na lei pode trazer consequencias mais complicadas e mais nocivas de administrar.

    É comum a gente cair na cilada de só pensar em abuso sexual relacionada a meninas, se esquecendo que a lei diz respeito aos dois. Eu mesma já atuei de forma condescendente naquele episodio do campeao de xadrez peruano de 15 anos e sua experiencia com uma striper brasileira. E isso nao é a toa. Historicamente, tem sido as meninas as maiores vítimas deste tipo de violencia (mesmo os meninos sendo alvos potenciais da pedofilia- relacionados a criancas e nao adolescentes, como destacou o Marcus), nao apenas da parte física (que abuso físico é estupro, sem lugar a dúvidas), mas da parte emocional, da coacao, da barganha, do machismo envolvido e tantas coisas. O caso é que tolerante com os meninos ou nao, a lei nao pode abrir brechas para aberracoes de espécie alguma.

  23. em 15 May 2007 às 9:07 pm Gi

    E olha que engraçado, agora comentando algo meio nada a ver: Denise, o marido, da France Gall (o que escrevia as músicas que ela cantava) fez uma música em homenagem ao Jerry Lee Lewis. Chama-se “Il jouait du piano debout”. ;-)

    Entendo o argumento do Marcus que me remete àquela última “magouille” do Sarkozy, sobre o que ele falou a respeito de pedofilia. En tout cas: “annie.. aime les sucettes.. les sucettes à l´Annie”.. hehe Desculpe, não deu pra segurar!

  24. em 15 May 2007 às 9:16 pm Gi

    Regina, eu não coloquei nenhum juízo de valor no meu comentário. Só comecei falando que eu gosto do Polanski pra depois falar do caso. Não relacionei absolutamente a obra ao criador. Mas em todo caso, se você deseja fazê-lo, fique à vontade, até porque a arte imita a vida e vice-versa. Foi só um comentário, assim como eu poderia ter falado do que aconteceu com aquela mulher dele, a Sharon Tate, mas como estamos falando sobre pedofilia e “abuso de machos em cima das criancinhas”, então, veio a calhar. E não estou a par do caso profundamente, não sou advogada, não sou a garota em causa, a mãe dela e muito menos o próprio acusado. Eu adoro a obra inteira de Polanski, mas nunca usei no meu argumento os filmes maravilhosos deste autor como jusitificativa para um provável erro cometido por ele. Eu não estava lá! ;-) ) Não enxergue coisa onde não tem. Aliás, país e “lugar pra se viver” é mesmo uma preferência pessoal. Moi, j´aime la France, avec les sucettes et o Brasil com isso tudo que a gente tem, com o “anjinho dourado”. ;-)

    Não disse que patriarcado era natural. Onde usei a palavra patriarcado? Falei em FALUS; é bem diferente. Aliás, ficou “cacófono”, ui. ;-)

  25. em 15 May 2007 às 9:18 pm Gi

    Aliás, não estabeleci nem de longe o meu lado nessa discussão e prefiro ficar assim. ;-) Talvez eu tombe mais pro lado das “sucettes à l´Annie” mas tudo com muito cuidado, claro.

  26. em 15 May 2007 às 10:29 pm vanessa

    Gi, queria ouvir sua opiniao. Te achei até bem assertiva lá no Marcus. Acho que todos já nos posicionamos e nao acredito que ninguém vá convencer ninguém de nada, mas eu gosto de ouvir as opinioes contrárias. Volta e meia me apresentam pontos que eu nao tinha levado em conta ou tinha passado por alto!

  27. em 16 May 2007 às 7:50 am Maharani

    Olha, sinceramente não me interessa se tem menina de 14, 15, 16 anos que tem uma vida sexual ativa com homens mais velhas e sabe muito bem o que quer. Não me interessa se tem garotão de 16 anos que se acha o bonzão porque está pegando uma mulher de 25.

    Adolescente NÃO TEM a maturidade emocional e a cancha de um adulto de 25, 30, 40 anos. Sim, tem muita gente há muito fora da adolescência que travou nos 13 anos, mas essa não é a regra. Sim, adolescente sente tesão, quer ter prazer, quer descobrir. Normal. Anormal é acreditar que uma relação entre um menino de 15 e uma mulher de 28 é igual a uma relação entre o menino de 18 e a menina de 16 ou a mulher de 29 e o homem de 34.

    Experiência conta sim. A idade pesa sim, no sentido em que a pessoa mais velha, logo com mais bagagem nas costas tem vantagem emocional (e prática, também), sobre a outra. E quando a vantagem é anormal, estabelece-se uma relação de poder cujo padrão é muito difícil de ser quebrado.

    Você me desculpa, Gi, mas eu também fui adolescente. Como toda adolescenete me achava preparada para o mundo e como toda adolescente era extremamente ingênua ao pensar assim. Nunca topei com a maldade do mundo quando estava crescendo, mas ela estava lá e com certeza bateu de frente com milhões de adolescentes na mesma época.

    Onde eu trabalho há um programa de menor estagiário, ou seja, adolescentes de 16 e 17 anos que trabalham fazendo tarefas administrativas meio período. São jovens de classe média baixa ou baixa, que talvez sejam muito mais safos para algumas coisas que jovens de classe média e média alta e em outras muito menos. Também trabalho com estagiários universitários de 20, 21 anos. Na maioria das vezes ambos os grupos são jovens extremamente capazes, com muito potencial e vontade de aprender e de vencer na vida.

    Comparando uns com os outros, alguns desses jovens são bem mais maduros que outros, em vários aspectos. Existem variações das mais diversas naturezas, mas nada que seja absurdo considerando suas faixas etárias. Dentro de suas faixas etárias, eles são absolutamente normais.

    Agora, quando comparo esses mesmos adolescentes e jovens adultos comigo, todos são imaturos. Tenho mais experiência, mais cancha, tomei mais porrada, aprendi mais, observei mais, estou em outro “grupo” de maturidade devido à minha faixa etária. Observei inclusive como é fácil para uma pessoa com mais vivência fazer esse jovens duvidarem de si mesmo ou acreditarem em coisas absurdas pelo simples fato de usar determinadas palavras, tons de voz, relatar experiências, etc (não, nunca fiz isso, mas já vi muitas vezes). E eu não estou falando só de jovens adultos, estou falando de adolescentes no final da adolescência. Imagine aqueles de 14 anos, as crianças mais novas.

    A vantagem está com quem tem mais tempo de estrada. Simples assim.

    As leis estabelecendo os direitos da criança e do adolescente existem por uma razão: para proteger a criança e o adolescente da desvantagem que eles levam frente ao resto do mundo apenas por serem mais jovens.

    Descriminalizar relações sexuais entre adolescentes e adultos é um tremendo retrocesso, um erro de conseqüências terríveis.

    Em tempo: gosto do Polanski cineasta, mas adulto com criança de 13 anos é estupro. Ponto.

  28. em 16 May 2007 às 7:52 am Denise Arcoverde

    Eu tenho uma filha que passou pelos 14 anos e minha casa vivia infestada de meninas de 14 anos , bebendo, fumando de tudo, chegando da balada as 6 da manhã (eu ia junto, por isso Bia podia ir), mas não tenho nenhuma dpuvida que eram CRIANÇAS aprendendo a viver. Se estão passando por esse processo um pouco destabanadamente, é outra coisa… mas, pra mim, são crianças e precisam de proteção.

    Aliás, lembro de uma delas, se agarrando com um barbado que a queria levar pra um fim de semana em Itamaracá e, eu tava lá, e disse, “fia, se você for, eu conto pra sua mãe”. Tem que ter algum limite…

  29. em 16 May 2007 às 8:09 am Maharani

    É exatamente o que penso, Denise. A adolescência é um período de crescimento e descobertas, durante o qual os meninos e meninas precisam ser protegidos porque estão em desvantagem em relação aos adultos mais experientes que eles.

    Bjs

  30. em 16 May 2007 às 10:15 am LucianA

    Concordo muito com a Denise, seja esta posição conservadora ou não (e daí!? certas coisas devem ser conservadas, superprotegidas MESMO!), o que está em jogo é algo muito mais importante. Mundo de adolescente é completamente diferente do nosso. E não entra na minha cabeça como pode existir uma relação afetivo-sexual saudável entre um adulto e alguém de 14, 15 anos. Chega a ser ridículo! Alguém nessa história é o “cabeça” da relação (quem será?) e pode facilmente manipular o outro a seu bel-prazer. Sofrer violência sexual nesta fase é algo tão delicado que pode gerar uma série de conseqüências negativas pela vida adulta afora. É fácil demais para um tiozinho, um admirador da juventude, um poeta, um ninfomaníaco ou um pedófilo (a denominação varia muito), seduzir uma adolescente boba com carrão, presentes caros etc e pedir sexo em troca. E com tanto safado solto nos MSNs da vida…
    Acho que esta mudança, que quer parecer moderninha, só reflete o machismo que paira nas relações sociais. As meninas mais pobres e que vivem no interior são as mais prejudicadas.

  31. em 16 May 2007 às 10:53 am Gi

    O povo tá sofrendo de cegueira. ;-) Só fazendo um copy-paste do meu primeiro comentário:

    “De qualquer forma, eu acho que 14 anos é um pouco criança – na minha época sobretudo. Apesar da minha suposta ingenuidade e de ouvir minhas amiguinhas peruando e dizendo “não pode deixar o menino passar a mão”, eu gostava do “esporte” déjà e achava que elas estavam erradíssimas. hehe Não tenho vergonha de assumir. Evidentemente nada deve ser às pressas. Incentivar a rapidez é perigoso e de repente esta lei vai provocar isso, mas dizer que pulsões sexuais são completamente ignoradas numa idade dessas é negar o ser humano na sua totalidade. Tudo bem que eu nem sabia o que era orgasmo direito, mas o desejo desponta absurdamente nessa idade.”

    Inté. Vanessa, minha opinião fica em cima do muro, mas só quero dizer que nunca disse que adolescente era “liberê” e sabia mais que adulto. Nunca disse isso. ;-) ) Mas eu acho interessante apontar os vários lados de uma mesma questão, apenas isso, porque acho que enriquece o debate.

    ps: Vanessa, descobri porque o comentário não aparece às vezes, como o Marcus falou. Reparei que toda vez que coloco um link e dou o espaço e ele fica aparecendo (direto pra poder ir pra página), fica “awating moderation”.

  32. em 16 May 2007 às 10:59 am paola

    Pooooo,

    vou botar mais lenha nesta fogueira… Quem teve relacoes com uma menina de treze anos tb foi o Caetano… com a Paula Lagvinie (nao sei como se escreve o nome dela). Quando ela era menina…

  33. em 16 May 2007 às 11:06 am Gi

    Falar nisso, vocês viram as “sucettes” do Gainsbourg???? Gente, não percam! É magnífico. ;-)

  34. em 16 May 2007 às 11:40 am Regina

    Maharani,

    So queria dizer que concordo com tudo que voce falou e te parabenizar pelo comentario/post. Voce expos de maneira eloquente o que eu queria dizer em termos da diferenca de poder numa relacao sexual/afetiva entre um adulto e um menor.

    Gi, voce tem razao, voce nao usou a palavra patriarcado. Mas foi assim que interpretei a seguinte passagem: “o mundo é mesmo do “falus”. Não consigo pensar diferente até porque minha história de vida sempre me mostrou o contrário. Sou bastante fatalista nesse aspecto e uma “feminista meio ao avesso”, da corrente da Paglia.” Quando leio esse tipo de argumento o que me vem a cabeca e’ que a dominacao do mundo pelo “falus,” e’ algo natural e consequentemente inevitavel. Well, eu nao penso assim. Talvez a minha reacao se deva tambem a minha antipatia pela Camille Paglia. Desolee! Mas faz muito tempo que eu nao leio nada dela e ate vou dar uma relida.

    De toute façon, eu tambem aprecio a sua contribuicao. Opinioes contrarias tornam o debate mais interessante.:-) Fui no youtube ver a musica do Gainsbourg. Achei bem bobinha, mas tem outras musicas dele que eu gosto como Bonnie et Clyde. J’aime la France aussi (sans les sucettes)et o Brasil tambem (apesar de tudo).;-))

    Beijocas,

    Regina

  35. em 16 May 2007 às 12:33 pm Gi

    Apesar de simpatizar com a música, eu não elogiei a mesma. Releia meu comentário e você vai ver que digo que é perigosa. Essa música era voltada para o público infanto-juvenil, Regina. Ela não tem absolutamente nada de bobinha; ela fala de sexo oral na careta mesmo e com direito a outros detalhes: “coule dans la gorge d´Annie”! Pior que Linda Lovelace. ;-) E de garotinha indo pra cama com os karas em troca de balinha “pour quelques pennies Annie a ses sucettes”. Mas o compositor é tão esperto que inverteu tudo: ela tem o “falus” depois que fornecem a grana, ou seja, dizendo que é ela quem gosta e não que é a vítima. Aí reside a polêmica! Ele foi fundo mesmo. Se essa canção é bobinha, então você a considera ingênua e contradiz o que estamos discutindo aqui. E a própria France Gall tinha esses mesmos fãs. A música é “perigosa e gostosa”, assim como a vida. Gainsbourg foi ousado, porque o país permite. Eu gosto da França assim. Questão de gosto. O mundo ia ser um saco com todo mundo proibindo tudo. O PROBLEMA nesse caso é uma criança (criança mesmo) ouvindo isso, porque fica lá no inconsciente alojado. Quatorze anos é nova mas não é criança, mas não estou falando dessa provável lei aí no Peru. Isso é uma opinião minha. No caso, se a menina fizer sexo oral quando se sente bem e mesmo que seja por “pennies” e “balinhas” e “sucettes”, então que ela saiba o que está fazendo e com quem e na idade certa. aí não vai dar pra você dizer qual é, nem a avó, nem a a tia, nem ninguém. Pode existir sim, um homão velhote seduzindo, por que o fulano sabe mais de manipulação do que uma garotinha. Mas cada um tem sua história; a vida é mais complicada que isso e as leis e os dogmas nunca andam junto com a sociedade, com o cotidiano; é o que eu reparo.

    Aliá, se eu tivesse feito tudo que amigas, inspetoras, madres, tias e afins queriam, eu seria uma infeliz, descontente com meu corpo, minha sexualidade. E olha que me arrependo de coisas que não fiz envolvendo genitores de algumas. ;-) ) É, eu tive pudor. Pudor é bom às vezes, rende mais depois. ;-)

    Bjs

  36. em 16 May 2007 às 12:37 pm Gi

    Ah, só lembrando: eu elogiei sim as “sucettes”, mas só agora, porque meu comentário ficou sob moderação, por causa do link e eu não tinha analisado o clip. Tem a coisa da linguagem visual, além da escrita. E no clip são mulheres mais velhas lambendo seus pirulitos felizes da vida. hehe O problema é a própria Gall que sempre teve a maior cara de novinha e na época então!
    ;-) )

  37. em 16 May 2007 às 12:48 pm Gi

    Engraçado que a língua francesa é tão perversa e maravilhosa que quem quiser fazer uma música sobre pirulito vai sempre cair no “paradigma sexual”, porque não é como no português (pirulito só vai remeter ao objeto e nunca ao sujeito que o consome): “sucette” vem do ato mesmo de “sucer”, então… uma coisa puxa a outra e vai atingir a “vítima”, seja mulher ou homem! Eu adoro o francês. ;-) )

  38. em 16 May 2007 às 12:58 pm Ana

    Soh um adendo ja que a minha vida privada foi citada no comentario da Denise : meu marido nao é beeeem mais velho que eu. Acho que entre um homem de 50 anos que se casa com uma menina de 20 que mal teve alguma experiencia sexual e que mora com pai e a mae e um homem de 39 que se casa com uma de 26 com bastante experiência, que trabalha, estuda e que mora sozinha desde os 18 é outra historia. Detesto comparaçoes, porque os causos sao bem diferentes :-) Beijocas.

  39. em 16 May 2007 às 1:35 pm Denise Arcoverde

    Ana Lucia, foi isso que eu escrevi:

    “Claro que existem casamentos com homens bem mais velhos como o meu, de Ana, Alexandra, mas nós éramos beeeeeeeeeeeem mais velhas e aí a diferença de idade nem conta mais.”

    Você só repetiu o que eu disse, ou seja, que quando o relacionamento se dá em uma idade mais avançada, (subentendendo-se que as duas pessoas estão em um mesmo nível intelectual, de maturidade e independência, como foram os nossos casos) a situação é bem diferente.

    Quando escrevi isso, apenas quis reforçar que o problema não é a diferença de idade, mas quando isso acontece num momento em que a menina (ou o menino) está em um momento mais vulnerável, mais dependente.

    Meu primeiro marido era 13 anos mais velho que eu, acho que é uma diferença bem considerável.

    Agora, você diz que detesta comparações, Ana, mas foi exatamente o que você fez ao escrever:

    “Acho que entre um homem de 50 anos que se casa com uma menina de 20 que mal teve alguma experiencia sexual e que mora com pai e a mae e um homem de 39 que se casa com uma de 26 com bastante experiência, que trabalha, estuda e que mora sozinha desde os 18 é outra historia.”

    Enfim, sinto muito ter citado seu nome e falado sobre sua vida privada, achei que era uma informação que você já tinha dado em seu blog e não pensei que isso seria um problema pra você. Garanto que não se repetirá.

  40. em 16 May 2007 às 1:38 pm Regina

    Gi,

    Ah,bon, eu nao me toquei que o publico alvo dessa cancao era infanto-juvenil, porque eu nao a conhecia ate eu assistir o clip no youtube hoje (com mulheres e nao meninas). Quando falei que achei bobinha, na verdade, eu estava me referindo a musica e ao visual juntos. Em ingles, eu diria, silly, em frances, nao sei, drolle, peutetre? Eu adoro frances, embora nao seja tao fluente como gostaria e me sinto muito a vontade na Franca (pelo menos quando visito – nunca morei la). Quanto ao lance do pirulito se fosse no Brasil, eu tambem te garanto que alguem encontraria um jeito de fazer tais associacoes.:-))

    Van,

    Esqueci de dizer antes. Voce levantou um ponto muito interessante que sao os meninos. Geralmente falamos das meninas porque esse tipo de situacao ocorre com mais frequencia entre as garotas, mas voce tem toda razao, isso tambem pode acontecer com meninos. Eu tb nao acho ok uma mulher de 30 tendo um relacionamento com um menino de 15 por mais “experiente” que ele se julgue.

    Beijos,

    Regina

  41. em 16 May 2007 às 2:49 pm vanessa

    Gente, isso aqui está muito bom! Adoro quando isso acontece por aqui e o blog vira espaco para um debate tao bacana e tao enriquecedor promovido por mulheres (cade os meninos?! Só o Marcus teve coragem de se pronunciar, é?!) inteligentíssimas, bem informadas e súper lúcidas! Obrigada a tod@s e nao parem nao, tá?! :-)

    Denise, nem te agradeci pelo link de ontem! Obrigadíssima!!! Sua generosidade sempre faz o blog bombar! :-)

  42. em 16 May 2007 às 4:29 pm Gi

    Outro vídeo que ilustra bem nosso assunto. Eu adoro:
    http://www.youtube.com/watch?v=xd6vTJePVuY

  43. em 16 May 2007 às 4:45 pm Roney Belhassof

    Bem, li a primeira metade dos comentários e… Bem, faz um tempo que tenho pensado nesta história de “maioridade” e até escrevi algumas coisas a respeito, mas tinha um corvinho (um corvo pequeno mesmo) bicando lá a minha alma e me incomodando com essa coisa de fixar idades… Ai então quebrou tudo! ;-)

    Creio que não vai acontecer pq a nossa civilização tem essa mania de tentar fazer tudo mundo ser igual mesmo quando não dá, mas sinceramente eu acho que tem homem de 40 que não tem maturidade para escapar das mais espertas meninas de 12, 13 anos. Acho que as mulheres mais espertas, com 30 ou 40 anos que seja, nas regiões com menos acesso a informação (e são muitas no terceiro mundo) não tem maturidade ou malícia para lidar com um assediador moral de 15, 16 anos.

    Estou querendo dizer que tinha que haver, no mínimo, um fator regional, um esquema de jurisprudências talvez, e, além disso, todos os casos de relação sexual onde um se sentiu usado, aliciado, estuprado, subjugado e não gostou deveria ser analizado estabelecendo-se o estágio de amadurecimento das partes.

    Na boa? Ultimamente tenho tido a impressão de que quase todo mundo anda parando lá nos 18 anos e olhe lá…

    Conclusão, descofio que falei pelos cotovelos e fiz algo que odeio: mostrei problema sem mostrar solução…

  44. em 01 Aug 2007 às 10:45 pm

    Pô, gente. Não dá pra esperar as meninas fazerem 18 anos? Elas ainda estão gostosas com 18, 19, 20. Até os 28, ainda costmam estar no ponto. Dependendo, até os 30 e poucos, tem umas que resistem (não é a regra, mas acontece). Deixa as meninas aproveitarem a infância!!!

  45. em 10 Jan 2008 às 6:12 am horkraptura

    subj
    ?

  46. em 03 Feb 2009 às 3:21 am razrabotatprod

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  47. em 23 Jan 2010 às 10:25 pm J.Olimpio

    Anônimo disse…
    O Grande Problema De Tudo Isso é A Propria Sociedade,O Culpado Nem Sempre é a Pedofilia Ou o Pedófilo e Sim A Própria Sociedade Que Insentiva O Sexo,Hoje em Dia Tudo é Banalizado, Hoje As Crianças Não São Tao Inocentes Como Eram Antigamente!Hoje Voçê Vê Uma”Criança”De 6,7 Anos Que Até Já Sabe Oque é Sexo!A Sociedade Insentiva O Sexo Mostrando Filmes,Novelas,Programas De Tv,Voçê Vê A Internet,Vê Musicas Que Insentivam O Sexo Como Exemplo Desses Funks Eróticos que Muitas Meninas e Crianças Dançam,a Propria Pulseira Do Sexo!Existem Até Escolas Publicas Distribuindo Camisinhas Gratuitamente Para Crianças de 5° a 8° Séries!Isso é Um Absurdo!Crianças De Hoje em dia não são tão inocentes assim,eu Mesmo Já Vi Varias Meninas De 11e12 anos Usando Drogas,Bebendo,Fumando Fazendo Sexo e Ninguém Faz Nada?As Vezes Os Pais Pensam Que A Filha é Santinha Quando Não São,As Vezes Elas Mesmo Fazem Coisas Escondidas Dos Pais,Sem Contar que em muitos Casos a Propria Mãe Insentiva A Filha,Muitas Até Colocam as Filhas Para Se Prostituir Para Ter Dinheiro!Eu Sei De Tudo Isso,Porque eu Tambem Sou Um Adolescente tenhu 15 anos e vejo muito disso!Só Que Ninguém Faz Nada,As Vezes quando voçê vai em uma Festinha Tipo Balada,Voçê Vê Muitas Meninas Novinhas Se Oferencendo e Se Voçê Fala Pra ela que não gosta dessas Coisas Elas Dizem que Voçê é gay,que voçê não gosta de mulher Comigo mesmo já aconteceu isso!Muitas Meninas que são Chamadas De “Crianças” Sabem Muito bem Oque estão fazendo Só que fingem Pros Pais que são inocentes!e é ai que acontece todas essas coisas que agente Vê!Hoje Voçê Vê Meninas de 9,10 anos Dançando Funk Eroticos,Usando Roupas Indecentes,usando essas pulseiras,Paquerando um monte de Meninos Na Rua e Dizer que essas sao inocentes?isso é uma grande bobagem,Porque elas Sabem Muito Bem Oque estão fazendo!Só que a culpa é Dos Pais Que não Sabem Educar,Paises Como A Irlanda São Exemplos!Porque lá Todos são iguais seja adulto ou criança,Cometeu um crime?Vai pra cadeia mesmo,e não existe essa de ser menor de idade!Se Um Menino De 9 10 anos Cometer um crime lá vai pra cadeia!Só aqui No Brazil que Todos Pensam Que Crianças são Inocentes Mais Não São!E Isso é uma coisa que Ninguém Fala!Desculpe O Meu Desabafo!Obrigado a Todos!!

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